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Um dos temas que mais geram dúvida no português é o uso da crase. Mas, se conhecidas as regras, a acentuação torna-se automática. Nessa edição, você saberá como empregar o acento grave:
Crase – Em princípio, crase é a fusão de duas vogais iguais. Mas quando isso acontece? Nos textos que você lê ou escreve, a crase ocorre na fusão da preposição “a” com:
• o artigo feminino “a” a + a: “Entreguei o documento à diretora”;
• o pronome “a” (equivalente a “aquela”) a + a: “Prefiro esta fita à que vimos ontem”.
• a primeira vogal dos pronomes demonstrativos aquele, aqueles, aquela, aquelas, aquilo àquele(s), àquela(s), àquilo: “Somente entregarei a bola àquele garoto”.
Essa fusão não fica aparente na pronúncia, mas, sim, na escrita, pois se assinala a crase com acento grave (`), como se vê nos exemplos acima.
Só ocorre crase diante de palavras femininas: “Dei o lápis à Joaninha” ou “Refiro-me à carta de ontem”. (Única exceção: a + aquele = àquele, porque neste caso não houve fusão da preposição com artigo, mas com a primeira vogal de pronome demonstrativo.)
Não ocorre crase diante de verbos e palavras masculinas: “Dei o livro a Paulo”, “Graças a Deus”, “Os jornalis começaram a noticiar a disputa”, “Voltamos a pé da festa”.
Não ocorre crase diante de pronomes pessoais (eu, tu, ele/a, nós): “Dê a ela este livro”.
Não ocorre crase diante de numerais: “Ponte a 50 metros”; “Daqui a 20 anos”.
Agora, se há um ponto que gera dúvida quanto ao emprego da crase é quando falamos de cidades, países, ou estados. Uma boa maneira de saber se na frase cabe ou não o acento agudo é usar as expressões “Cheguei da”, ou “Voltei da”, antes do nome do país, cidade ou estado. Se a frase fizer sentido com elas, o nome do lugar aceita crase.
Vamos aos exemplos:
Para saber se na frase “Vamos a Paris”, colocamos ou não crase, basta usar “Cheguei da”, ou “Voltei da”, antes da palavra Paris.
Vamos lá: “Cheguei da Paris”, “Voltei da Paris”. Como não fez sentido, não usamos crase em “Vamos a Paris”.
Diferentemente do que ocorre na frase “Viajaremos à Itália no próximo mês”. As frases “Cheguei da Itália” e “Voltei da Itália”, fazem todo o sentido. Logo, nesse caso usamos a crase. E assim por diante... “ Fizemos uma canção a São Paulo”, “Voltei à Espanha depois de muitos anos”.
Armadilhas do Português: A crase, assim como toda a regra tem suas exceções. Usando os exemplos acima, é possível usar a crase diante de nomes que normalmente não aceitam o acento, se ele vier acompanhado de um outro termo que o dá uma qualidade ou defeito.
Vejam no exemplo. “Vou a Paris” (Cheguei da Paris, Voltei da Paris - fica estranho e, por isso, não usamos a crase).
Agora a diferença: “Vou à encantadora Paris” (Cheguei da encantadora Paris, Voltei da encantadora Paris. Essas frases fazem todo o sentido e, por isso, empregamos a crase nesses casos.
Agora, é só praticar...
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