Edição 169 - Matéria Especial
 
Melhor é Possível
Estudo aponta melhoria no setor produtivo, mas, no Brasil, embora dados também sejam positivos, altos encargos ancoram fortalecimento emodernização da indústria
 
Texto: Chistiane Benassi

 

 
   
 
  Divulgação

2008 certamente será lembrado como um bom ano para o mercado automotivo no Brasil. As montadoras nunca produziram e venderam tanto; os fabricantes de autopeças foram obrigados a aumentar sua capacidade produtiva para atender essa nova demanda; enquanto a reposição também comemora o saldo positivo.
Um estudo da Proudfoot Consulting, consultoria líder mundial no aperfeiçoamento de processo, feito em empresas de 16 países durante dez anos, mostra que no Brasil houve uma melhoria na produtividade.
Embora tímida, em comparação com outros países analisados, a evolução no setor é notável se comparada com os dados da década passada.

Made in Brazil
O mercado automotivo no Brasil está aquecido desde a metade de 2007. No primeiro semestre deste ano, foram vendidos quase 1,5 milhão de veículos e a previsão é de que, até o final de 2008, cerca de 3,5 milhões de novos carros estejam circulando, contra 2,5 milhões em 2007. O Brasil já superou a Espanha em produção de automóveis e é atualmente o sexto maior fabricante de carros do mundo.
“Estão sendo investidos mais de R$ 20 bilhões, um investimento tardio porque em 2006, quando o mercado começou a aquecer, acreditou-se que era passageiro e nenhum investimento no setor foi feito”, conta Elzo Guarnieri, vice presidente executivo da Proudfoot Consulting.

Desafios
No entanto, para o Brasil atingir um índice satisfatório no setor produtivo de autopeças é necessário enfrentar alguns desafios. O primeiro deles seria a diminuição da carga tributária, pois só assim será possível investir ainda mais em tecnologia e processos produtivos para atender a demanda crescente das montadoras, cujo crescimento na produção de veículos deve ultrapassar 15% este ano. Além disso, é necessário aumentar a qualificação e o nível de preparo dos profissionais; melhorar a infraestrutura – equipamentos e espaço de armazenamento do estoque –; melhorar a logística – distribuição de peças e veículos. A logística interna também tem um nível muito baixo e as indústrias operam no limite – produzem o que precisa ser despachado; solucionar problemas com as estradas – trânsito e rodízio de caminhões afetam a logística e aumentam o custo; e extinguir recall por problemas de fabricação. Já existem empresas que se empenham em fazer perfeito na primeira vez; elas são mais rígidas e investem pesado na qualificação dos seus funcionários, por isso, conquistam a excelência.
Segundo o Sindipeças, tal cenário tem causado estresse na cadeia de produção. Dados do Sindipeças apontam para o inédito volume de 3,4 milhões de unidades produzidas em 2008 e previsão de 3,6 milhões em 2009. A indústria de autopeças, cujo faturamento em reais cresceu 188% de 2000 a 2007, ano este em que as vendas somaram R$ 70 bilhões, tem operado em três turnos, sete dias por semana, com ociosidade média de 15%. O percentual de segurança é 20% e há segmentos operando com menos de 10%. Para aliviar essa pressão, o setor deve investir cerca de US$ 1,6 bilhão este ano, 18,5% mais que em 2007.

Recordes de produção com mais qualidade e menos custo
O mercado automotivo passa por um crescimento sem precedentes na história do Brasil. Somos hoje o sexto maior produtor mundial deixando para trás grandes potências, como Espanha, Canadá e, recentemente, a França neste segmento. Recordes de vendas e produção de veículos neste ano foram sucessivamente sendo batidos, com previsões que sustentam cenário de 3 milhões de unidades até o final do ano, mesmo com uma pequena estabilizada no último mês.
Apesar dos investimentos das montadoras e indústrias de autopeças na expansão de suas atividades, as estruturas trabalham no limite, na grande maioria em 3 turnos, durante praticamente toda a semana. Neste cenário, as parcerias tecnológicas tornam-se fundamentais, sobretudo no apoio aos novos projetos e lançamentos de veículos, bem como na garantia de produção dos volumes necessários.
Segundo a Anfavea, no fechamento do balanço de agosto, a ocupação de capacidade da indústria está em 85%, e preparada para produzir 4 milhões de veículos em 2009. Os estoques atualmente estão na faixa de 23 dias, o que significa um patamar pouco abaixo do padrão com que a indústria historicamente trabalha. Contudo, seria de se supor que altos volumes de produção em conjunto com um mercado altamente comprador pudessem esconder eventuais problemas nos veículos comercializados, quer seja em qualidade ou confiabilidade, em decorrência de problemas estruturais. Afinal de contas, tem-se a grande chance de vender todo o volume produzido e mais alguma coisa. Ao mesmo tempo, existe também a chance real de aumento da lucratividade derivada do aumento das vendas. Por este motivo, os critérios de qualidade dos veículos passam por um momento de grande importância, visto tratarse de questão estratégica na hora da decisão de compra. Da qualidade final do veículo, quer seja aparente oupercebida, aos indicadores de qualidade em toda a cadeia de fornecimento, trabalha-se fortemente para que a qualidade seja um diferencial.
O mercado consumidor, com um grande volume de oferta de modelos e versões com os mais variados tipos de acabamento, assumiu importância determinante no direcionamento das ações necessárias à qualidade final do produto, impactando toda esta cadeia.
Estas ações, por sua vez, devem ser realizadas sem que haja implicância na questão dos custos de produção, visto que custos maiores impactarão no preço final dos veículos, tornandose critério de definição de compra. Os custos de não-conformidade, aliados a outros custos que não agregam valor ao produto final, devem ser eliminados com ferramentas e práticas de garantia de qualidade e volumes.
Por isso, é de se questionar como atender os constantes desafios de quebra de volumes de produção, produzindo cada vez mais com qualidade - ressaltando a lei da oferta e procura - obtendo-se ganhos financeiros para retroalimentar a cadeia e passarmos a produzir mais.
O que as empresas devem praticar para tornar esta equação mais eficiente possível e, assim, ser fator determinante de competitividade?

Tema de debate
No Congresso SAE BRASIL 2008, que será realizado de 7 a 9 de outubro em São Paulo, executivos envolvidos com esta equação vão contar as suas estratégias para superar esses desafios e possibilitar que as empresas tenham papel importante no mercado global, garantindo espaços vitais para crescimento. As ferramentas apresentadas poderão indicar o caminho para alavancar resultados e garantir altos níveis de competitividade, que certamente auxiliarão a alcançar o resultado da nossa equação.

 
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