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Revista Mercado Automotivo | Edição 261

Edição 261: Maio DE 2017
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Por Redação

A língua portuguesa não é das mais fáceis. Quem se interessa pelo estudo de outros idiomas certamente já percebeu que línguas como inglês e espanhol são muito mais simples no que diz respeito ao aprendizado, ainda que seja por cidadãos que não são nativos do país e, portanto, as aprendem como segundo ou terceiro idioma. No caso do português, ainda que o sujeito tenha nascido e sido alfabetizado no Brasil, invariavelmente enfrentará diversas situações em sua vida profissional cujas soluções estarão longe da memória e do conhecimento adquiridos nos anos de estudo.

Pensando nisso, a revista Mercado Automotivo selecionou os principais equívocos e dúvidas a respeito da língua portuguesa que costumam surgir no cotidiano das pessoas. O que se verifica é que, ainda que o sujeito ocupe um cargo de expressão em determinada empresa, que requer uma série de competências e responsabilidades, fatalmente terá momentos em que irá literalmente “travar” ao escrever um e-mail, por exemplo, diante de dúvidas consideradas simples a respeito de concordância, gramática e afins.

Algumas dúvidas, inclusive, aparecem na linguagem oral, quando o interlocutor não tem a possibilidade que teria quando estivesse escrevendo um e-mail, por exemplo, e poderia parar, pesquisar e resolver seu problema. Confira a seguir e solucione suas dúvidas com a língua portuguesa:

1 - Ao invés de / Em vez de
Se você quer mostrar ideias/conceitos opostos, use “ao invés de”. Se quiser indicar apenas algo no lugar de outra coisa, opte por “em vez de”.

2 - Uso de vírgulas entre sentenças
Se duas frases estão juntas, mas possuem sujeitos diferentes, é preciso usar a vírgula antes da conjunção “e”. Exemplo correto: A mãe demorou a chegar, e o filho ficou desesperado.

3 - Por que / Porque / Por quê / Porquê
O “por que” separado e sem acento é usado para perguntas, ainda que estejam implícitas. Exemplos: “Por que ela não foi ao mercado?” e “Ela não sabe por que não foi”.
O “porque” junto e sem acento é utilizado nas respostas, em sentenças nas quais pode ser substituído por “pois”. Ex.: “Não foi ao mercado porque estava chovendo”.
O “por quê” separado e com acento é utilizado ao final da frase, seguido de pontuação. Ex.: “Ela não veio hoje. Sabe por quê?”
O “porquê” junto e com acento é usado quando se quer expressar o sentido de motivo ou razão. Ex.: “Não sabia o porquê de tanta irritação”.

4 - Uso da crase em períodos
Quando quiser falar de um período específico, especificando que ele irá de X horas até XX horas, use a crase, conforme os exemplos a seguir: “Das 09h às 18h ou Prova: 07h às 10h”.

5 - Uso da crase em dias da semana
No caso de dias, não utilize a crase, conforme o exemplo a seguir: o correto é “De segunda a sexta” e não “De segunda à sexta”.

6 - Crase para pronomes
Não se utiliza crases antes de pronomes pessoais: eu, você, ele, ela, nós, vocês, eles, elas). Portanto, o correto é “a você” e não “à você”.

7 - Em princípio / A princípio
As duas expressões parecem idênticas, mas não são. “Em princípio” pode ser utilizada para substituir a expressão “em tese”. Já “a princípio” é, de fato, usada para substituir “no início”.

8 - Afim/a fim de
“A fim de” (separado) é usado para expressar intenção ou finalidade. Ex.: “Aceitei ir ao show a fim de conhecer a banda”. Já “afim” (junto) guarda a possibilidade de ser usado como substantivo ou adjetivo, e seu uso remete à ideia de “parecido”, “similar”.

9 - Beneficente x Beneficiente
Beneficente está correto. A segunda palavra sequer existe na língua portuguesa, apesar de a ouvirmos com certa frequência.

10 - Anexos os documentos x documentos em anexo
É correto dizer “seguem anexos os documentos”, já que a palavra “anexo”, quando utilizada como adjetivo, não exige o uso de “em”. A palavra, entretanto, deve concordar com o substantivo: no caso, “documentos”, por isso está no plural. “Em anexo” não está correto, portanto prefira usar, neste caso, “no anexo”.

11 - Acento em dia a dia e cara a cara?
As expressões acima não devem gerar acentuação no “a”, pois trazem palavras repetidas.

12 - Menos x menas
Essa dúvida, apesar de parecer simples, invariavelmente gera problemas por ser mais comum na linguagem oral. O sujeito fala errado e sequer percebe o problema em sua comunicação. O correto é “menos”. Sempre.

13 - Na minha opinião x na minha opinião pessoal
Um caso famoso de pleonasmo (repetição desnecessária de uma informação). Se você está falando de sua opinião, já diz respeito a algo pessoal. Portanto, “na minha opinião” já basta.

14 - Por hora x por ora
Ambas existem, mas cada expressão acima guarda um significado. “Por ora” significa “por enquanto”. Já “por hora” diz respeito ao período de tempo em si, como, por exemplo, “100 km por hora”.

15 - Faz x fazem
O verbo fazer é impessoal quando diz respeito a um período de tempo decorrido. Portanto, o correto é dizer “Faz dois meses que estudo aqui” e não “Fazem dois meses que estudo aqui”.

16 - Para mim fazer x para eu fazer
Essa também é mais comum na linguagem oral. “Para mim” não pode ser usado antecedendo um verbo no infinitivo. Nesse caso, é preciso usar “para eu”. Ex.: “Era para eu fazer o trabalho, mas não fui à aula”.

17 - A x há
Se quiser falar de tempo passado, utilizar o verbo haver. Ex.: “Trabalho nesta empresa há 5 anos”. O “a” é usado como expressão de tempo para indicar algo futuro ou que guarda distância. Ex.: “A reunião será daqui a duas semanas”.

18 - Há cinco anos x Há cinco anos atrás
Outro caso de pleonasmo. Não é necessário dizer “há cinco anos atrás”. Basta dizer “há cinco anos”.

19 - Chegar a x Chegar em
Nesse caso, “chegar” é um verbo de movimento. Portanto, exige a preposição “a” e não “em”. Exemplo: “Os alunos chegaram a Brasília ontem”.

20 - Perca x perda
A dúvida deve ser esclarecida a partir da qualidade da palavra. Ou seja, “perca” é verbo, enquanto “perda” é substantivo. “Não perca tempo” está correto, pois a palavra é usada como um verbo. “Esse trabalho é uma perda de tempo” também está correto, pois a palavra aparece como um substantivo.
Fique atento nas próximas edições. A revista Mercado Automotivo seguirá trazendo oportunamente dicas e orientações de português para que você não faça feio com nosso idioma. Seja falando, seja escrevendo. 

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