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Revista Mercado Automotivo | Edição 257

MATÉRIA DE CAPA - Edição 257: Novembro DE 2016
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Por Redação

O Brasil caminha para 2017 em um cenário que, se não está claro, ao menos nos indica um horizonte mais positivo. Os últimos indicadores econômicos divulgados – tanto os oficiais como aqueles desenvolvidos por instituições especializadas – representaram um certo “freio” para o otimismo desenfreado que surgiu no País especialmente após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ainda assim, é possível esperar um cenário mais positivo em 2017, com resultados concretos não apenas para a indústria em seus diversos setores, mas também para as famílias brasileiras.
Quem acompanha o noticiário econômico – e até mesmo político – do País sabe que nas últimas semanas a sensação geral a se espalhar entre as pessoas é a de que “o pior da crise já passou”. Quando analisamos, de fato, a transição entre os anos de 2014 e 2016, as piores consequências da crise financeira parecem já ter atingido os brasileiros. Um dos principais indicadores a comprovar essa percepção de que a crise já fez seus estragos é a taxa de desemprego.
Calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego é extremamente importante para se avaliar a situação do País de uma maneira mais “macro”. Isso ocorre justamente porque seu resultado reflete as consequências econômicas dos últimos meses e não apenas do mês em questão. Ou seja, não se trata de uma “fotografia” simplesmente do período analisado, já que é necessário considerar quais foram as medidas e ações que levaram ao resultado visto.
Desde abril deste ano, o índice de desemprego no Brasil atingiu mais de 10%, chegando a 11,8% no mês de agosto. Os índices são os piores desde 2007, quando o indicador começou a apresentar queda. Entre 2008 e 2014, o brasileiro vivenciou uma sensível queda nos índices mensais de desemprego e isso foi sentido por todos, na prática, quando a indústria passou a reclamar da falta de profissionais qualificados para determinadas vagas, que passaram, inclusive, a não ser preenchidas.
A crise que o Brasil enfrenta atualmente pode ser observada no índice de desemprego a partir de março de 2015, quando o indicador passou a registrar seguidos aumentos até passar dos 10% no segundo trimestre deste ano. O resultado mais recente, no entanto, é apenas uma consequência de certa forma natural do que foi visto no dia a dia do brasileiro entre 2014 e 2016: ou seja, o aprofundamento da crise.
Para 2017, entretanto, o governo brasileiro espera por uma retomada na economia, afastando o risco de o índice de desemprego voltar a crescer a níveis alarmantes. Em entrevista ao programa A Voz do Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que há indicações de retorno do crescimento da economia brasileira em 2017. Como “consequência natural e inevitável” desse crescimento econômico, o ministro avalia que os brasileiros verão uma retomada do emprego.
“Existem diversas indicações de que teremos, de fato, a economia crescendo no próximo ano”, afirmou Meirelles, que defendeu novamente a necessidade de reformas econômicas para que o Brasil volte a crescer. “O Brasil precisa reformar a economia para que cresça e seja capaz de gerar empregos, gerar renda para a população e baixar a inflação”, completou. Com base nessa reformulação dos gastos públicos, Meirelles também destacou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, chamada de PEC 241 durante a tramitação na Câmara, que prevê a limitação de gastos desta natureza à inflação oficial do ano anterior durante os próximos 20 anos. “O que se estabelece como um mínimo de gastos com saúde e educação, é acima do mínimo estabelecido até agora. O Executivo e o Congresso podem, inclusive, aprovar mais despesas. Portanto, é algo que preserva, sim, o investimento nessas duas áreas fundamentais para a sociedade”, disse Meirelles ao defender a aprovação da medida como fator essencial para evitar a gastança pública desenfreada.
“Imaginem uma família que comece a gastar mais do que ganha, a tomar empréstimos em quantidades cada vez maiores. Esta proposta vai limitar o crescimento dos gastos, da mesma maneira que faz uma família que está gastando mais do que ganha”, completou. Importante destacar também que, segundo o ministro, a aprovação da PEC permitiria que o governo não aumentasse impostos no próximo ano, um cenário que já contribuiria enormemente com o brasileiro em si, mas também com a indústria de diversos setores, que enfrentam uma carga de taxas extremamente severa.
“O aumento [de impostos] seria necessário se as despesas continuassem a crescer de forma descontrolada. No momento em que o governo corta na própria carne, como disse o presidente Michel Temer, elimina a necessidade de aumentar impostos”, concluiu, em entrevista ao programa da EBC.


Dados que reduzem o otimismo


Apesar do otimismo geral que tem dominado o ambiente brasileiro nos últimos meses, a divulgação de alguns números freou o sentimento geral de que, em 2017, teremos ventos (muito) melhores. De acordo com a economista Silvia Matos, durante palestra no seminário Perspectivas 2017: Economia e Política em Momento de Mudança, promovido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre), o Brasil não deverá sair da crise em 2017.
Em declarações repercutidas pela Agência Brasil, Silvia ressaltou que a previsão é de que em 2016 haverá contração de 3,4% no Produto Interno Bruto (PIB) e que 2017 deve começar com queda de 0,5% no indicador. “Acho difícil imaginar uma saída tão rápida dessa recessão. Uma recessão longa, profunda, similar à dos anos 80 e, sem dúvida, baixo crescimento neste ano”, afirmou a economista, que é também coordenadora técnica do Boletim Macro Ibre, estudo mensal que contempla estatísticas, projeções e análises dos aspectos mais relevantes da economia brasileira.
Ainda segundo a especialista, o movimento de “desinflação” tem ocorrido em ritmo lento no País. Dessa forma, o Banco Central adota maior cautela para não errar na previsão dos números em suas expectativas divulgadas. “Nesse momento de transição econômica a gente não sabe quanto de desinflação virá, então o Banco Central está sendo extremamente cauteloso e provavelmente não terá a queda na taxa de juros esperada pelo mercado, logo, a economia não vai poder se recuperar com a mesma velocidade”, disse.
As estimativas oficiais também passaram por revisão negativa neste final de ano. Por meio do boletim Focus, que leva em consideração as análises de mais de 100 instituições financeiras, o Banco Central estimou uma retração mais acentuada do PIB em 2016, bem como um crescimento inferior no ano seguinte.
A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – a inflação do País – para este ano ficou estável em 6,88%, ainda acima do teto de 6,5%, com objetivo central de 4,5%, adotados pelo governo brasileiro para 2016. Em 2017, a previsão do índice caiu de 5% para 4,94%, também acima da meta central oficial. Quanto ao PIB, a variação entre a última apresentação do Banco Central e o que foi previsto agora é praticamente a mesma quando se leva em consideração o ano de 2016 e o de 2017.
Para este ano, a previsão de queda do PIB passou de 3,30% para 3,31%. Para 2017, a expectativa é de crescimento, na ordem de 1,20%. Na última divulgação de dados oficiais do BC, a estimativa era de crescimento de 1,21% na economia brasileira. Percebe-se, portanto, que o mercado até mantém a perspectiva de que 2016 representaria o fim da retração brasileira e que 2017 poderia apresentar crescimento em relação às temporadas anteriores. No entanto, a revisão dos índices, ainda que mínima, revela que a pílula não tem sido tão dourada quanto imaginavam.


Caminho correto


O brasileiro chega, portanto, ao final de 2016 com a correta impressão de que “as coisas estão melhorando”, “estão avançando”. Ainda que isso ocorra de forma paulatina, sem grandes sobressaltos e melhoras. É preciso levar em consideração que a crise enfrentada pelo Brasil atualmente é uma das mais fortes – senão a mais forte – já encarada pelo País em sua história. O número de desempregados cresceu enormemente, a renda da população caiu sobremaneira, o consumo retraiu em níveis alarmantes e basta caminhar por qualquer metrópole do País para perceber a quantidade de lojas e comércios que fecharam as portas.
A recuperação, portanto, virá. Mas é preciso ter calma. Ainda no seminário Perspectivas 2017: Economia e Política em Momento de Mudança, a economista Sílvia Matos reforçou que um crescimento mais robusto e mais rápido da economia brasileira depende também de uma recuperação do setor de serviços e não apenas da atividade industrial. No entanto, com a recente redução de despesas do governo e do consumo das famílias, o setor de serviços sentiu na pele a retração.
“Como a gente não tem nada de fora puxando a indústria e o setor externo não vai contribuir para este supercrescimento, o que poderia vir seria da demanda interna, mas para a demanda interna vir com uma aceleração muito forte, precisa ter capacidade de aceleração que viria pelo canal do crédito, que parece ainda estar entupido”, afirmou.
“A ideia é que a taxa de desemprego no segundo semestre de 2017 pode começar a mostrar algum recuo. Não é nada brilhante, mas é um sinal favorável e poderia continuar em 2018 esse processo. Mas a gente vai conviver com taxas de desemprego ainda elevadas, porque, antes de contratar, tem espaço para aumento de horas trabalhadas”, avaliou a economista, que voltou a reforçar a importância das reformas às quais o Brasil poderá ser submetido. “Quando a situação econômica melhora de alguma forma o político é bem avaliado. Está dando os incentivos corretos. Vamos tentar arrumar essa economia, porque com a crise ninguém ganha, todos perdemos. É essa visão um pouco mais otimista. Não quer dizer que vamos resolver todos os problemas em 2017. O cenário de curto prazo reflete esses problemas tão grandes da nossa economia”, finalizou.
O cenário a curto prazo, de fato, pode não ser dos melhores. No entanto, acreditar em dias mais tranquilos parece ser um dos principais pontos em que o brasileiro pode se fiar neste momento. O pior da crise ficou para trás. Embora isso não diminua as dificuldades e as consequências geradas pela recessão brasileira, ao menos nos permite acreditar que o trem está voltando corretamente aos trilhos e seguindo no rumo certo. 

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