Revista Mercado Automotivo

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Revista Mercado Automotivo | Edição 256

MATÉRIA DE CAPA - Edição 256: Outubro DE 2016
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Por Redação

O cenário é desafiador. Isso ninguém discute. O Brasil passa hoje por dificuldades de ordem financeira e política cujas consequências devem se arrastar pelas próximas décadas. Ainda assim, quem enfrenta esse cotidiano parece chegar à conclusão de que o pior de tudo já passou. Agora, o desafio é olhar para frente e compreender o que cada um pode e deve fazer para contribuir com a melhora do País.

Foi com este espírito que foi realizado em São Paulo no dia 11 de outubro o 22º Seminário da Reposição Automotiva. Com organização do Grupo Photon, o encontro reuniu lideranças de todos os elos do setor automotivo no Teatro Ruth Cardoso, na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), onde debateram desde questões ligadas aos segmentos da indústria em si, quanto ao cenário econômico do País como um todo.

O evento foi uma realização do GMA (Grupo de Manutenção Automotiva), que integra as principais entidades representativas do setor: Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), Andap (Associação Nacional dos Distribuidores de Autopeças), Sicap (Sindicato do Comércio Atacadista de Peças e Acessórios para Veículos de São Paulo), Sincopeças (Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos no Estado de São Paulo) e Sindirepa (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios).

O presidente do Sincopeças, Francisco De La Torre também presidiu o Seminário neste ano e a abertura oficial do evento contou, pela primeira vez, com Dan Ioschpe como presidente do Sindipeças. O executivo assumiu o cargo em 2016 após 22 anos de gestão de Paulo Butori e falou com exclusividade à revista Mercado Automotivo, em entrevista publicada nesta edição. Rodrigo Carneiro, vice-presidente do Sicap/Andap, Antonio Fiola, presidente do Sindirepa Nacional, e Elias Mufarej, coordenador do GMA, também estiveram presentes na abertura oficial.

Na sequência, o público presente pode conferir a palestra Cenários Econômicos e Ambiente dos Negócios, ministrada pelo mestre e doutor em Economia pela USP (Universidade de São Paulo) Antonio Evaristo Teixeira Lanzana. O especialista é também presidente do Conselho Superior de Economia da Fecomercio SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo). Em sua exposição, Lanzana conquistou a atenção de todos ao abordar de maneira didática e clara os motivos que levaram o Brasil à crise econômica que enfrentamos nesse momento.

Lanzana destacou que o Brasil enfrentou a maior recessão dos últimos cem anos e viu o Produto Interno Bruto (PIB) recuar 3,8% em 2015 e 4,6% no primeiro semestre deste ano. Todos os segmentos da economia foram afetados, o que fez com que o desemprego crescesse rapidamente entre os brasileiros, chegando a 12 milhões de pessoas ao final dos primeiros seis meses de 2016. Ainda entre os trabalhadores, a forte queda da renda real apenas piorou a situação que já era crítica devido à dificuldade dos brasileiros em obter crédito. Mas, afinal, o que levou o Brasil a esta situação?

Para o especialista, o País foi fortemente afetado por erros de política econômica e os custos dos impostos ao Estado para corrigi-los apenas pioraram a situação. Entre os desacertos promovidos pelo governo de Dilma Rousseff, Lanzana abordou a inflação represada artificialmente, cujas consequências foram ainda mais fortes em determinados setores nos quais os preços dos produtos ficaram extremamente defasados. Além disso, de acordo com ele, o Banco Central optou nos últimos anos por “segurar” o câmbio, contribuindo para o desequilíbrio da economia brasileira. A deterioração do quadro fiscal também foi apontada pelo palestrante como um dos erros da política econômica brasileira.

Posteriormente, o evento ofereceu aos presentes uma palestra a respeito do sistema de garantia de autopeças orientado pela Norma Técnica ABNT. A apresentação foi conduzida por Luiz Sergio Alvarenga, diretor Executivo do Sindirepa Nacional, e Salvador Parisi, coordenador da Comissão de Estudos de Serviços, Manutenção e Reparação do Comitê Brasileiro Automotivo da ABNT. Em entrevista à revista Mercado Automotivo, Alvarenga abordou a importância do Seminário para o setor. “O seminário é o maior evento deste formato no Brasil, reunindo praticamente todos os elos desta imponente cadeia produtiva, e onde podemos sintonizar assuntos e temas de relevância, permitindo uma reflexão com base fundamentada”, afirmou.

De acordo com Alvarenga, o objetivo da palestra foi expor, de maneira simples, as características do sistema de garantia de autopeças. O palestrante afirma que se identificou um caminho para minimizar o fluxo de garantia indevido e assegurar com base legal aqueles que por ventura sofram alguma ocorrência pela garantia técnica. A mensagem-chave da palestra foi separar garantia técnica da garantia comercial, completou Alvarenga. Questionado sobre a possibilidade de um cenário com garantia unificada no setor, o especialista ressaltou que uma solução deste tipo requer um sistema informatizado, caso contrário se torna inexequível qualquer tipo de controle.

O evento contou ainda com a palestra de Thiago Nogueira, analista de Mercado de Reposição do Sindipeças, e Marcelo Gabriel, diretor da Cinau, Central de Inteligência Automotiva. Ambos abordaram a frota de veículos automotores do Brasil, o geoposicionamento de oficinas leves e o extrato de consumidores finais através do aplicativo Carro 100%.

O público também conferiu uma breve apresentação da Automec 2017, a partir da exposição de Paulo Otavio, vice-presidente da Reed Alcântara Machado. O evento será realizado de 25 a 29 de abril, também em São Paulo.

Logo depois, foi a vez de se falar em mobilidade. Reynaldo Awad Saad, sócio da Deloitte, proferiu palestra a respeito da importância de se investir em inovação no que diz respeito à mobilidade no Brasil. Para reforçar o destaque dado ao tema, o Seminário também promoveu um painel de debates a respeito da inovação na mobilidade, cuja mediação ficou a cargo de Antonio Fiola, presidente do Sindirepa Nacional.

Entre os participantes do debate estiveram Francisco De La Torre, Elias Mufarej, Antonio Carlos de Paula (diretor do Sicap/Andap) e José Arnaldo Laguna (vice-presidente do Sindirepa-SP e presidente do Conselho Nacional de Retífica de Motores).

Em sua apresentação, Saad destacou características do setor automotivo que atualmente já são essenciais para quem deseja entender melhor a evolução de cada um dos elos e crescer, de forma geral. Ao referir-se à chamada Indústria 4.0, o executivo abordou o aprofundamento da produção através de processos automotizados e também os automóveis que atualmente já estão conectados às smart cities. De acordo com ele, importantes atores do setor tecnológico têm investido no setor automotivo, tais como Google e Apple, pois enxergam as diversas oportunidades que os automóveis cada vez mais conectados propiciam às marcas.

O sócio da Deloitte também chamou a atenção para o sistema de coleta de dados nos carros conectados, bem como na armazenagem dos mesmos em nuvem, o que permitirá uma posterior análise com o objetivo de personalizar os serviços automotivos. Será possível, assim, deixar cada veículo estritamente caracterizado a partir das preferências de cada usuário. Com todos esses dados em jogo, no entanto, é necessário estar atento à segurança dos usuários, já que ameaças sofisticadas têm sido desenvolvidas com o objetivo de coletar as informações geradas pelos veículos, aproveitando-se de eventuais falhas nos processos tecnológicos.

Ao falar sobre o aspecto sustentável da mobilidade e de como a inovação deve voltar-se a este ponto específico, Saad chamou a atenção para uma triste logística reversa que ocorre na relação entre os automóveis dos Estados Unidos e do Brasil. Enquanto nos EUA 95% dos carros que saem de circulação são reciclados, no Brasil esse índice chega a apenas 1,5%.

Por fim, o público foi brindado com uma ótima apresentação de Marco Antonio Villa, professor, historiador, escritor e comentarista da rádio Jovem Pan, TV Cultura e revista Veja. Villa abordou as perspectivas do Brasil após o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em sua apresentação, o especialista fez uma breve revisão histórica do Brasil, destacando os principais processos que contribuíram para que o País atingisse o cenário no qual estamos hoje, tanto no âmbito político, quanto no econômico e social.

Para falar sobre o impeachment de Dilma, Villa explicou o conceito formado em torno do “mito do Lula” durante as décadas de 1970, 80 e 90, que resultou na eleição do ex-presidente petista no pleito de 2002. “Se construiu a lenda de que um operário estava chegando ao poder em 2002, mas ele [Lula] não trabalhava [em fábricas] desde 1972”, afirmou. Para ele, foi essa “lenda” criada em torno do ex-presidente que impediu uma associação mais clara e concreta de escândalos de corrupção aos governos petistas em Brasília. Dessa forma, o processo de enfraquecimento dos governos do PT, que resultaram na queda da Dilma, demorou a “decolar” no cenário nacional.

Ao expor uma série de correlações da história recente do Brasil, Villa buscou explicar as origens e as características dos governos de Lula e de Dilma Rousseff, de modo a mostrar como as estruturas desenvolvidas pelos petistas no aparelho estatal foram determinantes para que o País chegasse ao escândalo divulgado e investigado pela Operação Lava Jato, entre outras.

De qualquer forma, a percepção – ilustrada até mesmo por Antonio Lanzana – é que o pior da crise para o Brasil, de fato, já passou. Para o especialista, a Política Fiscal caracteriza- se como o grande desafio do governo brasileiro em 2017, mas os ajustes terão de ser graduais. O desequilíbrio das contas públicas é tão elevado que não há como resolver o problema a curto prazo, aponta Lanzana.

Além disso, conforme ressaltou Lanzana, o PIB brasileiro deve se estabilizar neste terceiro trimestre, voltando a crescer nos últimos três meses de 2016. A inflação, que está caindo neste final de ano, deverá ficar perto do centro da meta em 2017. As expectativas melhoraram, mas devemos sempre levar em consideração que o “estrago” no País foi grande. Conforme resume o especialista, trata-se de um otimismo cauteloso, e foi esse o sentimento geral no Seminário da Reposição Automotiva de 2016.


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