Revista Mercado Automotivo

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Revista Mercado Automotivo | Edição 255

MATÉRIA DE CAPA - Edição 255: Setembro DE 2016
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Por Redação

Em tempos de crise, a redução de desperdícios é um dos principais fatores a darem fôlego a empresas que precisam lidar com a queda do volume de negócios em seus setores. O problema é que, muitas vezes, o gestor se volta para sua companhia e não consegue identificar oportunidades para reduzir custos e desperdícios em seus processos de produção e gestão.

Diante desse cenário, o que muitos empresários tentam fazer é aproveitar o que já têm e aumentar a produtividade para evitar investimentos desnecessários. No entanto, graças a uma crise que tem atingido todos os setores das companhias (desde os recursos humanos até os suprimentos), a escassez de material e de pessoas pode ser mais um problema a ser enfrentado pelos dirigentes. Afinal, como render mais, mesmo com recursos mais escassos?

A resposta está tanto na eliminação de desperdícios existentes não apenas na produção como em outros setores da empresa, e também no esforço em se buscar a mão de obra o mais qualificada possível, de modo a trabalhar com profissionais cada vez mais preparados e motivados com a equipe em que estão.

REDUÇÃO DE DESPERDÍCIOS

A equação é simples: se você reduz os custos, ainda que seu faturamento mantenha-se o mesmo, será possível até mesmo ampliar sua margem de lucro. Diminuir os custos sem gerar traumas para o cotidiano de sua equipe, no entanto, não é tarefa das mais fáceis. As equipes de trabalho costumam reagir mal quando se fala simplesmente em redução de custos. O primeiro pensamento das pessoas costuma ser: vou fazer o meu trabalho e o de outra pessoa para que a empresa consiga reduzir seus gastos.

O que poucos entendem, no entanto – inclusive alguns gestores e diretores – é que essa redução de custos pode vir simplesmente da eliminação de desperdícios. Pensando nisso, o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) destacou em sua página voltada aos empreendedores os ensinamentos que podem ser retirados da filosofia conhecida como Lean Thinking. Trata-se de uma filosofia de gestão empresarial que nasceu na Toyota, nos anos 1940, em um momento em que os japoneses enfrentavam diversas dificuldades de ordem financeira por conta das consequências da derrota na Segunda Guerra Mundial. O modelo de gestão, que se baseia numa ideia de empresa enxuta, está calcada em dois pilares: melhoria contínua e respeito pelas pessoas.

A filosofia japonesa identificou, a princípio, sete desperdícios que podem ser verificados nos sistemas de produção, de uma forma geral: defeitos, excesso de produção, espera, transporte, movimentação, processamento e estoque.

Uma verificação mais apurada dos processos de trabalho pode levar o empresário a identificar falhas que até então não eram visíveis. Para isso, uma das recomendações é ouvir. Isso mesmo, ouvir. Parece simples, mas muitas pessoas ao chegarem a cargos de gestão e direção deixam de ouvir os funcionários que lidam diretamente com aquilo que é produzido, comercializado e distribuído. Assim, não são apenas os processos que ficam distantes, mas também as possíveis falhas, passíveis de correção, que ficam longe do alcance daqueles que podem justamente adotar medidas de modo a alterar esse cenário.

É claro que você não precisa sentar e conversar individualmente com todos os funcionários da companhia, mas promova bate-papos descontraídos com certa frequência. Busque sempre escolher, de forma praticamente aleatória, dois ou três funcionários de determinado setor produtivo. Deixe claro à pessoa em questão que a conversa é informal, que não gerará represálias e que o objetivo é identificar desperdícios que atrapalham não apenas os resultados da empresa, mas também o próprio desempenho do funcionário.

Através de uma conversa franca e direta, procure saber quais são, na opinião do funcionário, os gargalos em seu trabalho. Em quais atividades ele considera que perde tempo diariamente? Qual processo poderia ser feito de maneira mais rápida e assertiva? O funcionário vê defeitos no que produz? Quais procedimentos ele considera necessários para melhorar o produto em que ele trabalha? Ele considera o transporte dos produtos adequado? O tempo de produção de uma peça, de seu estágio inicial até o final, é adequado? O estoque da empresa é organizado e de fácil acesso?

Tais perguntas podem nunca ter sido feitas oficialmente aos funcionários. No entanto, é certo que os colaboradores já abordaram as possíveis respostas nas tradicionais conversas de corredor. A direção da empresa não poderá atender a todos os pedidos e demandas que surgirem nas conversas. No entanto, é essencial demonstrar ao funcionário que sua reivindicação foi ouvida, analisada e estudada. Muitas vezes, até mesmo o funcionário entende que sua demanda é impassível de execução nesse momento, mas apenas o fato de ter sido ouvido já o fará se sentir melhor dentro da empresa.

Após recolher essa série de reivindicações dos funcionários que lidam diretamente com seu produto, você poderá adotá-las de forma direta ou, dependendo do formato utilizado pela diretoria da empresa, analisá-las de forma colegiada. O mais importante nessa deliberação é pensar quais medidas têm a possibilidade de eliminar desperdícios (mesmo aqueles considerados mínimos) e de reduzir os custos. Daí em diante, cabe à empresa adotar as medidas consideradas válidas e promover frequentemente um processo que tenha o objetivo de verificar o que foi cumprido e alterar possíveis desvios na rota.

Se o executivo, seja de pequena ou média empresa, ainda não se sentir confortável nessas situações é possível contar com os serviços oferecidos pelo Sebrae. Em relação à cadeia de suprimentos, por exemplo, o Sebrae destaca a possibilidade de disponibilização dos seguintes serviços:

• Produção de um diagnóstico geral do fluxo de atividades primárias e de apoio;

• Avaliação de armazenagem, manuseio e estoque de materiais;

• Metodologia para gestão de estoques;

• Codificação de materiais (código de barras ou outro);

• Avaliação da logística e estratégia competitiva;

• Técnicas de qualidade total;

• Estudo sobre as formas de armazenagem para a logística (embalagens, acondicionamento, layout);

• Levantamento sobre as características de negociação com fornecedores, distribuidores, clientes e prestadores de serviços logísticos, bem como os fluxos de informações e seus requisitos;

• Avaliação da viabilidade dos processos logísticos (próprios ou de terceiros);

• Avaliação sobre a logística reversa;

• Estudo de viabilidade dos canais de distribuição física de produtos;

• Análise dos pontos de entrega e da logística de “última milha” para canais de distribuição;

• Análise estratégica para exportação e importação (formas de realizar, tributação e incentivos fiscais, formação de preços, financiamento, despacho aduaneiro, aspectos cambiais etc.). Quanto à melhoria de processos em si, o Sebrae destaca a possibilidade de:

• Análise sobre a organização e métodos de trabalhos;

• Análise do planejamento e controle dos sistemas produtivos;

• Avaliação sobre a administração de materiais;

• Dimensionamento da capacidade instalada de produção;

• Avaliação dos processos de manutenção preventiva e corretiva de máquinas e equipamentos;

• Gerenciamento e adequação de processos da produção;

• Análise e avaliação de produto;

• Aprimoramento de produtos;

• Administração de produtos, insumos, suprimentos e compras;

• Gestão de estoque e fornecedores;

• Critérios de segurança em cada uma das etapas da produção;

• Estudo sobre racionalização do processo produtivo, resíduos, água, energia.

MÃO DE OBRA QUALIFICADA

Apesar de sua importância, a redução de custos por meio da eliminação de desperdícios deve ser atrelada à preferência pela mão de obra especializada. A expressão chega até mesmo a soar de forma curiosa. Afinal, qual empresário/ empreendedor em sã consciência optaria por um funcionário com qualificação inferior ao seu concorrente no processo de seleção? O problema é que muitas empresas optam por esse caminho de forma quase irracional ao escolher, em um processo de seleção, aquela pessoa que aceite receber um salário inferior, ainda que sua formação e suas habilidades sejam inferiores ao candidato que receberia rendimentos mais altos.

Assim, a empresa acaba gerando diversos tipos de problemas, como o próprio Sebrae identifica em seu portal voltado a empreendedores. “Essa política [de selecionar o funcionário pelo salário mais baixo] permite economia a curto prazo, mas implica, a médio prazo, no aumento de custos por causa de baixa produtividade, falta de qualidade, ausências e pequeno tempo de permanência do funcionário”, aponta a entidade.

Ainda que sua empresa não tenha uma estrutura tão grande, ou não conte com um departamento de Recursos Humanos estruturado, é extremamente importante promover um processo de recrutamento qualificado de modo a identificar corretamente os funcionários de maior potencial. De acordo com o Sebrae, a seleção precisa ser focada em encontrar a pessoa mais capacitada para a vaga, conforme o perfil necessário. A partir daí se adequa o salário a ser oferecido diante do que é pedido ou esperado pelos participantes.

Após contratado, cabe à empresa promover treinamentos e capacitações para que seus funcionários possam crescer cada vez mais. Nesse ponto, de acordo com o Sebrae, é preciso desmistificar a ideia de que investir nos funcionários configura um desperdício às companhias.

“Alguns empresários acreditam que o treinamento e a capacitação dos funcionários é um desperdício, pois quando um empregado sair da empresa o valor investido será perdido. Na verdade, o resultado de um funcionário capacitado compensa o valor investido em sua capacitação mesmo com pouco tempo de produção”, aponta a entidade.

Épocas de crise requerem soluções diferentes. Por mais que isso seja óbvio, muitas vezes, diante das dificuldades do dia a dia, nos esquecemos da importância de se pensar em estratégias que fogem daquelas adotadas pela empresa até então. Ainda que você se encontre em uma situação de falta de recursos ou até mesmo de pessoas, é preciso inovar, adotar novas iniciativas e exigir resultados diferentes. Somente assim será possível chegar a cenários distintos (e mais prósperos).

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