Revista Mercado Automotivo

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Revista Mercado Automotivo | Edição 253

MATÉRIA DE CAPA - Edição 253: Julho DE 2016
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Por Redação

Não é novidade para ninguém que a crise financeira que assola não apenas o Brasil, mas também o mundo, tem contribuído para o fechamento de diversas empresas de diferentes setores. A dificuldade no acesso ao crédito aliada ao aumento dos custos trabalhistas e à diminuição do consumo de forma geral acabou prejudicando significativamente o caixa de muitas companhias, algumas delas com décadas de atuação no mercado brasileiro.

Diante disso, surge a necessidade de muitas empresas recorrerem a fontes de financiamento que possam lhes amenizar os efeitos da crise, ao menos até que a situação no País volte a patamares considerados normais. Mesmo quem não enfrenta grandes crises acaba recorrendo a alternativas financeiras para prover melhorias em seu negócio. Seja por meio da compra de novos maquinários, da modernização dos processos de produção e logística, ampliação dos estoques físicos ou até mesmo do aprimoramento profissional dos funcionários, algumas empresas optam por novas fontes de crédito para diferenciar-se em meio a setores tão concorridos.

O cenário não é diferente no setor automotivo. Diretamente impactadas pelo momento que o País tem atravessado, as companhias de diversos elos do setor têm tido dúvidas quanto ao momento e o tipo certo de investimento que deve ser feito de acordo com as dificuldades e às necessidades pontuais que têm.

Por ser formado, em sua maioria, por pequenas empresas de origem familiar, o setor de reposição automotiva muitas vezes recorre àquilo que os próprios proprietários fariam caso enfrentassem dificuldades financeiras no âmbito pessoal. Ou seja, tais empresas voltam-se ao cheque especial, tido como uma solução emergencial diante de problemas que requerem uma ação rápida, longe de burocracias.

Para lidar com dívidas a serem pagas em poucos dias, o cheque especial pode até ser uma solução. No entanto, é extremamente necessário levar em consideração que os juros desta opção são extremamente altos e que ela só “deve” ser utilizada se o pequeno ou micro empresário tiver ciência de que sua dificuldade financeira requer uma solução imediata e que deverá ser revertida em pouco tempo.

Os empréstimos também acabam sendo uma solução vista como emergencial diante de dificuldades financeiras mais graves e de contexto mais complexo. Quando se recorre aos bancos privados, por exemplo, é necessário levar em conta que o pequeno empresário muito provavelmente terá acesso ao crédito de forma mais rápida em relação à relativa burocracia que enfrentaria se optasse por um banco público. Entretanto, esse tipo de negócio envolve juros maiores, que se não observados de início com muita atenção podem gerar uma grande dor de cabeça ao empresário em poucos meses.

Quando se recorre a um empréstimo é preciso levar em consideração a própria flutuação do segmento em que atua. Nestes cenários requer-se paciência e estudo para averiguar quais deverão ser as condições de seu negócio nos próximos meses. Caso contrário, seu empréstimo vira uma bola de neve, que poderá lhe trazer inúmeros problemas.

É por isso que muitos especialistas recomendam como primeiro passo a quem deseja recorrer a uma nova fonte de crédito a elaboração de um plano de negócios. Somente assim será possível ter em mente as diversas condições que envolverão seu empréstimo, tais como: montante necessário para a operação, juros envolvidos no negócio, tempo que terá que pagar o empréstimo, expectativas sobre o seu negócio para os próximos meses, dificuldades que poderão surgir em meio ao pagamento do empréstimo, entre outros. Assim, é possível elaborar que você não será pego de surpresa caso o cenário mude rapidamente.

O conselho referente ao plano de negócios é direcionado não apenas aos pequenos empresários que passam por dificuldades financeiras, mas também àqueles que desejam ampliar sua capacidade de atuação. É por meio do plano de negócios que o empresário identifica quais áreas de sua empresa demandam investimentos e de que forma aquele novo montante será aplicado. Caso contrário, ele corre o risco de utilizar o novo crédito para “resolver” uma emergência qualquer que aparecer no cotidiano da empresa desvirtuando assim o propósito original do empréstimo e gerando dificuldades futuras onde antes não havia.

Além disso, é preciso levar em conta outros pontos que envolvem os empréstimos com instituições financeiras. Em primeiro lugar, na maioria dos casos, o banco não irá cobrir a totalidade do valor solicitado. A maioria das linhas de financiamento oferecidas geralmente chega a 80% ou, no máximo, 90% do que foi solicitado. Dessa forma, é muito importante que o pequeno empresário tenha garantido ao menos esse percentual do que diz precisar.

É preciso também oferecer garantias ao banco que lhe concederá o empréstimo. Sendo assim, recomenda-se que o empresário identifique todas as garantias possíveis a serem oferecidas como contraponto ao empréstimo. Quanto mais preparado o próprio empresário estiver, mais rápido se dará todo o processo de empréstimo e liberação de crédito para sua empresa.

Opção pelo BNDES

Conforme se afirmou anteriormente, muitos empresários optam pelos empréstimos provenientes de bancos privados para fugir da burocracia que pode aparecer nos bancos públicos. Apesar disso, é preciso considerar uma das principais vantagens que esta segunda opção pode oferecer: juros sensivelmente mais baixos.

Uma das modalidades oferecidas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) é o Cartão BNDES. Antes de abordar esta opção de crédito, no entanto, é preciso explicar alguns pontos sobre a instituição financeira que podem ser desconhecidos de boa parte dos micro e pequenos empresários. Devido ao investimento e às parcerias do BNDES com grandes companhias e empreendimentos, criou-se uma falsa imagem de que para obter apoio do Banco é preciso ter uma estrutura gigantesca. Ao contrário. O próprio BNDES deixa claro que apoia, de fato, desde grandes empreendimentos a pequenos negócios, “com foco em investimentos capazes de gerar inclusão social, emprego e renda para a população”.

“Para isso, [o BNDES] atende empresas de todos os portes em praticamente todos os setores da economia e oferece linhas de crédito inclusive para pessoas físicas (caminhoneiros, produtores rurais e microempreendedores) e órgãos da administração pública (municipal, estadual e federal)”, explica a instituição. E é importante destacar que não se exige tempo mínimo de operação da empresa, mas o BNDES não financia alguns itens, como, por exemplo, despesas de criação e legalização das empresas e a compra de terrenos e imóveis.

Para solicitar um financiamento do BNDES, o empresário precisa estar em dia com as obrigações fiscais, tributárias e sociais, apresentar cadastro satisfatório, ter capacidade de pagamento, dispor de garantias suficientes para cobertura do risco da operação, não estar em regime de recuperação de crédito, atender a legislação relativa à importação – no caso de financiamento para a importação de máquinas e equipamentos – e cumprir a legislação ambiental.

No financiamento, que difere de um empréstimo comum, o BNDES oferece crédito com longo prazo de pagamento e os recursos devem ser utilizados para uma finalidade específica (capital de giro, compra de máquinas, modernização do negócio, exportação, etc.). O financiamento pode ser requisitado diretamente ao BNDES ou também por meio de instituições financeiras credenciadas. De forma geral, explica o BNDES, as operações de financiamento para a compra de máquinas e equipamentos, bem como as de projetos de implantação, modernização e expansão de empreendimentos, são feitas indiretamente, ou seja, pelas instituições credenciadas.

O Cartão BNDES é um produto exclusivo para as micro, pequenas e médias empresas. Trata-se de um crédito rotativo pré-aprovado de até R$ 1 milhão e pagamento em até 48 parcelas para a aquisição de bens, serviços e insumos para as empresas. Os bens podem ser adquiridos no Portal de Operações do Cartão BNDES, que insere novos produtos para serem comprados praticamente diariamente. Todas as transações são feitas no portal e uma das principais vantagens é que o comprador pode parcelar suas compras em parcelas fixas e iguais, podendo assim se organizar melhor a médio e longo prazos.

O Cartão é uma vantagem para o empresário, pois, assim, ele pode recorrer ao financiamento de uma instituição financeira pública sem ter de ficar preso a uma burocracia que, por vezes, acaba prejudicando a empresa em seus objetivos.

Além disso, o Cartão BNDES traz a possibilidade de negócios também para os fornecedores. Podem ser fornecedores desta modalidade as empresas fabricantes e seus distribuidores. Os fabricantes são as empresas de qualquer porte, que produzem no País bens e insumos de setores autorizados pelo BNDES e necessários às atividades das micro, pequenas e médias empresas, conforme define o próprio Banco. Os distribuidores são empresas previamente indicadas por fabricantes credenciados.

Uma das principais vantagens aos fornecedores é que eles recebem o valor líquido da transação 30 dias após registrar o número da nota fiscal no portal, sem correr riscos de inadimplências ou de comprometimento com o capital de giro do negócio. O Cartão BNDES, muitas vezes, não é apresentado ou indicado por instituições financeiras privadas porque gera um retorno inferior, mas pode ser extremamente útil para empresários que desejam investir, mas não têm capital imediato para aquilo.

Seja qual for a opção de crédito escolhida pela empresa é sempre bom ponderar. Decisões como essas, que podem comprometer o orçamento da companhia por um bom tempo, devem ser consideradas a partir de uma estratégia da empresa. Ainda que a companhia tenha uma estrutura familiar, centrada em um único executivo, é importante que este esteja aberto para ouvir pessoas próximas ou até mesmo especialistas em crédito que lhe indiquem os caminhos possíveis.

Quando se tem de forma clara o local em que você quer chegar e as possibilidades que tem para atingir seus objetivos, é mais fácil considerar os pontos positivos e negativos de cada forma de financiamento. Seja para sair de um momento difícil, seja para ampliar seu portfólio de trabalho, é preciso considerar que tipo de financiamento pode lhe ajudar, trazendo o mínimo de riscos possíveis. Só não vale ficar parado, ainda mais num momento em que quem permanece inalterado dificilmente conseguirá se sustentar durante a crise e permanecer vivo após ela passar. 

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