Revista Mercado Automotivo

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Revista Mercado Automotivo | Edição 252

MATÉRIA DE CAPA - Edição 252: Junho DE 2016
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Por Redação

Sabe aquela história de que o brasileiro é acomodado? Que deseja apenas ingressar em um serviço público por conta da estabilidade a longo prazo? Tudo balela! Uma pesquisa mundial divulgada pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) revelou que o Brasil é o país mais empreendedor do mundo. Trata-se do GEM (Global Entrepreneurship Monitor), que busca identificar os países com a maior taxa de cria­ção de negócios entre a população economicamente ativa.

O que a pesquisa aponta é que, mesmo com o País atravessando uma de suas piores crises econômicas, ainda existe no brasileiro o desejo de abrir o próprio negócio. Ainda assim, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que mais da metade das empresas fundadas no Brasil fecharam as portas após quatro anos de atividade.

A revista Mercado Automotivo pesquisou as principais dificuldades que os brasileiros enfrentam nos primeiros anos após a abertura de suas empresas. Afinal, o que faz alguns prosperarem enquanto outros não conseguem levar adiante suas iniciativas comerciais? Quais são os segredos?

Os primeiros passos

Com dados de 2014, o Sebrae de São Paulo revelou que o simples desejo de ter um negócio próprio foi o principal fator de motivação para aqueles que abriram uma empresa no Estado, com 37%. Logo depois, com 26%, está o fato de o empreendedor ter identificado uma oportunidade de negócios. Em penúltimo lugar na lista de motivos, com somente 4% das respostas, está o fato de o empreendedor ter aberto o próprio negócio por estar desempregado à época e não conseguir emprego.

Quando questionados se haviam aberto o próprio negócio por oportunidade ou necessidade, 69% escolheram a primeira opção, ou seja, disseram ter tido a percepção de um nicho de mercado em potencial. Os números mostram, portanto, que o brasileiro não abre sua empresa por desespero e sim por entender que terá sucesso na empreitada.

O problema é que, muitas vezes, o empreendedor começa a se sabotar antes mesmo de colocar a mão na massa. Como? Ao não se preparar adequadamente para a iniciativa. De acordo com o Sebrae, 69% dos empreendedores planejaram durante até seis meses antes de abrir a empresa. Somente 31% levaram mais de um semestre para definir todos os procedimentos antes de abrir as portas. Os números mostram que o tempo levado no desenvolvimento do próprio negócio está diretamente relacionado à probabilidade de fechar. Oito em cada dez empresas que fecharam foram idealizadas em menos de seis meses.

Assim, uma das principais preocupações dos empreendedores que decidem abrir o próprio negócio deve ser voltada ao planejamento prévio. Se não indicamos sequer uma compra por impulso, abrir um negócio às cegas é completamente reprovável. Ao decidir abrir sua própria empresa, seja por necessidade ou oportunidade, o ideal é que você pesquise tudo o que envolve o setor no qual irá ingressar. É necessário responder a uma série de perguntas:

- Qual é a situação atual do setor em que irá ingressar? Está saturado? Carece de bons serviços? É dominado por gran­des companhias?

- Há outras empresas do mesmo setor próximas ao local onde planeja abrir seu negócio?

- Como é a região em que irá atuar? É segura? Permite fácil acesso aos clientes? Tem estacionamento próprio ou próximo? É muito afastado de sua residência? Será um local de fácil acesso aos funcionários?

- Qual será sua mão de obra? Os produtos com os quais irá trabalhar são muito afetados pela variação cambial? Há muitas opções de produtos no mercado ou seu nicho de atuação será restrito?

- Qual o investimento necessário para abrir as portas? Qual será o gasto mensal no melhor dos cenários? E no pior deles? Quanto você deve ter de capital de giro?

Sim, são muitas perguntas. A fonte, muitas vezes, será o próprio Sebrae, que oferece serviços de consultoria voltados para cada setor. No entanto, você mesmo pode correr atrás das informações. Tudo dependerá do tempo hábil que tem para abrir as portas. É possível, por exemplo, consultar o sindicato dos empresários do setor e até mesmo conversar – discretamente – com outros empreendedores que atuam no mesmo segmento.

Assim, você obterá informações atualizadas e de fontes confiáveis e evitará entrar às cegas em um negócio próprio. É claro que quem precisa abrir uma empresa por necessidade muitas vezes não tem o tempo adequado para preparar-se. O desafio, portanto, será obter o máximo de informações possíveis no tempo que tem disponível. Segundo indica o Sebrae, maior tempo de planejamento permite que se conheça melhor o mercado antes de abrir a empresa, o que tende a aumentar as chances de sucesso.

Quanto à origem do investimento utilizado na abertura do negócio próprio, a pesquisa do Sebrae aponta que 88% dos empreendedores usaram recursos próprios (pessoais e/ou da família). No entanto, entre os que disseram enfrentar dificuldades no primeiro ano, 14% alegaram problemas com a falta de capital ou com lucros abaixo do esperado. Assim, é necessária atenção para não entrar de cabeça no novo negócio, investindo de uma vez só todo o montante que tem. Nesses momentos, é melhor ser um pouco conservador, já que em muitos setores os resultados tardarão naturalmente a aparecer.

E depois?

Passada a expectativa e os anseios iniciais da abertura do negócio próprio, surgem outros desafios que, se não encarados com a mesma seriedade, poderão resultar em graves problemas. Para isso, é preciso pensar em um plano de viabilidade para a empresa, um plano de negócios que preveja algumas dificuldades que poderão surgir no caminho. Assim, caso os problemas de fato apareçam, você terá o suporte financeiro e o conhecimento para contornar a situação sem grandes sustos.

A ansiedade do início dos trabalhos também pode ser prejudicial. É óbvio que alguém empolgado com o que está fazendo é benéfico para qualquer atividade, mas seu excesso pode levar a uma ansiedade destrutiva, que aos poucos vai minando a relação do empreendedor com seus próprios funcionários e clientes. Novamente, destaca-se a importância do plano de negócios. Se você souber onde está pisando, irá se sentir mais confiante e menos ansioso para resolver todas as situações que aparecerem.

Na “metade” do caminho é importante que você reconheça seus pontos fortes e busque sublinha-los através da promoção de sua empresa. Dependendo do seu capital de investimento, é sempre possível pensar na propaganda tradicional. Quanto maior o montante reservado para essa etapa, mais assertivo você poderá ser na hora de definir seu foco de divulgação.

No entanto, se você não tem condições nesse momento de investir na divulgação de sua marca, busque meios menos tradicionais. As redes sociais, por exemplo, se usadas corretamente podem ser ótimas opções de divulgação. Por meio de um investimento relativamente baixo, você consegue divulgar seus serviços e atingir um amplo número de internautas. É necessário, no entanto, estar disposto também a interagir nesses espaços. Afinal, se você utiliza as redes sociais para promover seu negócio, também deve estar pronto para responder a reclamações e questionamentos dos clientes.

Com o tempo, ao lidar com fornecedores, funcionários e clientes, você perceberá que há uma diferença gigantesca entre gerenciar o negócio e operar o dia a dia da empresa. No primeiro caso, você antevê problemas e soluções, mantém uma relação de respeito e profissionalismo com os funcionários e aproveita oportunidades de mercado para ampliar seu negócio. No segundo caso, no entanto, você praticamente “enxuga gelo”. Ou seja, passa a maior parte do dia simplesmente resolvendo problemas aparentemente inesperados. Nem é preciso apontar qual cenário lhe trará mais desgastes e problemas, certo?

Burocracia e impostos

Se existe algo claro entre os brasileiros é que a burocracia é um dos principais problemas que o empreendedor enfrenta em praticamente todos os momentos de seu negócio. Para se ter uma ideia, o Datafolha divulgou dados sobre a burocracia brasileira na comparação com países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico ou Econômico). Enquanto no Brasil os impostos consomem 67% do lucro de uma empresa, na OCDE o índice cai para 42,7%. Os brasileiros levam 119 dias e dependem de 13 procedimentos para finalmente abrir uma empresa, enquanto na OCDE a média é de 12 dias para cinco procedimentos. Para fechar uma empresa insolvente são gastos 12% de seu patrimônio em um processo que pode levar até quatro anos. Na OCDE, são 9% do patrimônio, em um ano e sete meses, em média.

Há pouquíssimos remédios imediatos contra a burocracia. De fato, o Brasil precisaria passar por uma reforma fiscal e em diversos outros aspectos para garantir um ambiente de negócios mais simples. No entanto, sabemos que isso não acontecerá da noite para o dia. Assim, o que se pode fazer é terceirizar a burocracia. Ou seja, deixar a parte burocrática para escritórios especializados no assunto. Pode até parecer mais caro, de início, mas com o tempo você perceberá que acabou economizando tempo e, principalmente, saúde mental.

O mesmo conselho se aplica aos impostos. Você terá de pagar. No entanto, ao recorrer a alguém especializado para tratar o assunto, você se livra de possíveis problemas futuros. Afinal, por desconhecimento, sua empresa poderá estar pagando até mais do que deveria ou simplesmente não estar atenta a todos os aspectos fiscais de seu negócio, o que pode resultar em pesadas multas.

Vale a pena

Se você chegou até aqui, parabéns! Não é fácil, de fato, atingir essa etapa. E não se engane, os problemas não deixam de aparecer, é você que está mais preparado para lidar com situações antes vistas como impossíveis de serem solucionadas. Entre os empreendedores que conseguem permanecer no mercado, 90% se dizem satisfeitos com o fato de ter aberto o negócio próprio. As razões são variadas: liberdade, retorno financeiro, realização pessoal, trabalhar com o que gosta, flexibilidade de horário ou então porque simplesmente a empresa está crescendo e obtendo bons resultados.

Motivos não faltam para que você se torne um novo empreendedor brasileiro. Observando as orientações de especialistas e mantendo consigo o ímpeto de prosperar, é de se esperar que seu negócio dê certo. Neste momento de crise no Brasil, talvez o que mais precisamos sejam pessoas que não tenham receio de arregaçar as mangas. 

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