Revista Mercado Automotivo

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Revista Mercado Automotivo | Edição 246

MATÉRIA DE CAPA - Edição 246: Outubro DE 2015
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Por Redação

A cidade de São Paulo recebe de 9 a 13 de novembro a 20ª edição da Fenatran – Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Carga. Com 40 anos de existência, a exposição ocupará 85 mil m² no Pavilhão de Exposições do Anhembi e pretende reunir 376 marcas do Brasil e de fora, com cerca de 62 mil profissionais do setor, provenientes de 61 países. Um dos principais objetivos da organização é consolidar o evento como o maior ponto de venda de produtos e serviços voltados para o transporte rodoviário de carga da América Latina.

A crise econômica e política que afeta o Brasil – e é tema de 10 entre 10 conversas de negócios atualmente – obviamente impacta o setor automotivo como um todo. No entanto, é justamente neste tipo de feira que costumam surgir importantes oportunidades para determinados segmentos da cadeia. Basta estar sempre atento e não deixar de aproveitar. Para João Paulo Picolo, diretor da Fenatran, o evento reserva ótimas expectativas inclusive para o aftermarket.

“O setor de reposição é um dos menos afetados pela baixa demanda do setor”, avalia Picolo, em entrevista exclusiva à revista Mercado Automotivo. “Neste cenário o setor de reposição ganha força. Empresas [do segmento] estão confirmadas e com certeza farão bons negócios. Além disso, reformadores de pneus [também] estarão presentes e deverão [apresentar] suas novidades para os visitantes”, completa o executivo.

Picolo explica que o setor de transporte rodoviário de carga leva em conta o custo da reposição e reforma no ato de aquisição de equipamentos. Essa, inclusive, é uma tendência que vem sendo observada entre os próprios consumidores “regulares” de autopeças. O momento é de reformar os veículos, com foco em durabilidade, segurança e eficácia das peças adquiridas. Se o momento é de crise, de forma geral, é necessário observar quais oportunidades podem surgir no horizonte. “Soluções nesse sentido, com certeza, terão excelente receptividade”, completa.

Outro ponto de interesse do setor de reposição e que deve ser observado com atenção na Fenatran deste ano é a possibilidade de reforçar, ou até mesmo criar, novos negócios com parceiros que atuam no exterior. Se o mercado consumidor interno está enfraquecido, voltar os olhos para além das fronteiras é uma boa opção. Dessa forma, a Fenatran terá uma rodada de negócios exclusiva para compradores internacionais interessados na importação de produtos. “Como parâmetro, na edição de 2013 o evento recebeu 760 visitantes estrangeiros, sendo: 60% da América do Sul, 18% da Europa, 10% da América do Norte, 6% da Ásia, 5% da América Central e 1% da África”, destaca a organização do evento, em comunicado distribuído à imprensa especializada.

Na última edição, realizada em 2013, 98% dos visitantes afirmaram-se satisfeitos com o evento e 77% declararam a intenção de retornar em 2015. Naquela ocasião, mais da metade dos entrevistados participavam efetivamente do processo de decisão e compra em suas companhias. Ou seja, será possível extrair bons negócios da exposição.

Para a edição deste ano, até o fechamento desta reportagem, mais de 25 mil compradores já havia efetuado suas inscrições para visitar o evento. “A principal motivação que notamos é o desejo e a necessidade de encontrar soluções para este momento”, avalia Picolo. “Estamos cientes do atual cenário econômico e atentos às novas condições do mercado, e o que temos notado em relação aos eventos já realizados pela Reed (Reed Exhibitions Alcantara Machado, organizadora do evento) é que em 2015 há um aumento na qualificação dos visitantes com alto poder de decisão de compras. Nosso objetivo é levar compradores dispostos a conhecer nossos produtos e serviços para que negócios sejam gerados nos próximos meses”, completa.

Para isso, a feira aposta em seu papel como plataforma de negócios, ao colocar fornecedores e fabricantes lado a lado, incentivando aproximações. “O mercado de transporte de carga é bastante complexo e a feira é o único evento onde se pode encontrar no mesmo local empresas desempenhando o papel de fornecedor e cliente ao mesmo tempo”, afirma Alcides Braga, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir).

Uma das ferramentas a ser utilizada para fomentar os novos negócios é o programa Premium Club Plus, que pretende colocar expositores e compradores especialmente convidados lado a lado. Dessa forma, por mais que a Fenatran tenha uma duração relativamente adequada, os visitantes ganham tempo e conseguem ir direto àquilo que mais lhes será útil.

“Tradicionalmente, a Fenatran é o principal vetor de relacionamento do setor, unindo toda a cadeia produtiva. Nossa missão é levar os principais compradores e fornecedores para dentro do evento”, explica Juan Pablo De Vera, presidente da Reed. “Em momentos em que a economia é menos favorável, a feira oferece oportunidades para as empresas presentes, interessadas em bons negócios”, completa o executivo.

Nesta edição, a organizadora do evento pretende oferecer caravanas de compradores para atender os seguintes segmentos do setor: Implementos rodoviários e equipamentos; Caminhões e veículos comerciais; Autopeças, motores e pneus; Combustíveis, derivados e componentes; Equipamentos e serviços para gestão e rastreamento de frotas; Instituições financeiras e seguradoras.

José Hélio Fernandes, presidente da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC), recorda, inclusive, que o cenário de agora remete à edição de 2009, quando mercados tradicionais como o norte-americano, o europeu e o japonês enfrentavam períodos de grande turbulência. Nem por isso, no entanto, a Fenatran daquele ano produziu resultados negativos.

“Com seus mais de 30 anos de realização, a feira apenas se fortaleceu e consolidou-se como a segunda maior feira do setor no mundo. Muito mais do que exposição, as empresas participantes sabem da importância do evento como grande espaço para os negócios. Temos o histórico de situação semelhante em 2009, período de instabilidade, em que a feira mostrou-se mais vendedora do que as edições anteriores. Na época, muitas empresas expositoras ficaram sem estoque em decorrência das vendas durante o evento”, recorda o executivo.

Otimismo com cautela

Apesar de todos os bons motivos apresentados, é necessário entender também este momento como o de uma grande dificuldade para o setor de transporte de cargas. Os números deixam isso claro. Entre janeiro e junho de 2015, a balança de contratação do setor (contratações menos demissões) ficou negativa em 2,5 mil vagas. Foi a primeira vez que isso ocorreu desde 2007. Para efeito de comparação, o pior resultado anterior fora o de 2009, quando o saldo positivo do período ficou em 10,7 mil vagas.

Ainda assim, a organização da Fenatran chama a atenção justamente para o papel que o evento pode desempenhar numa eventual recuperação da economia brasileira, algo tão esperado por todos. “Sabemos que as feiras de negócios são importantes quando a economia está aquecida, e fundamentais quando se é preciso movimentar setores que estão passando por momentos mais difíceis. Temos visto isso em nossas feiras. Começando pela Feicon no início do ano, passando pela Automec, em abril, e chegando às feiras que aconteceram recentemente como Brasil Offshore e Fenasucro, todas apresentaram excelentes resultados para todos os participantes e foram muito importantes para discutir soluções, encontrar novos parceiros e fazer negócios”, afirma Picolo. Nesse caso, as quatro décadas de história da Fenatran são mais um fator de esperança para quem vai à feira para fazer negócios.

“Um produto só permanece tanto tempo no mercado se for capaz de atender as exigências de seus públicos. No caso da Fenatran estamos falando de uma das feiras de maior sucesso do Brasil. Em 40 anos construímos ume relação de proximidade, de confiança com o mercado e entregamos resultados importantes para o crescimento e desenvolvimento do setor. A cada nova edição temos a missão de compreender qual será o próximo passo, e esta compreensão nos leva a criar soluções ‘sob medida’ para cada momento”, explica Picolo.

Em 2013, o principal foco da exposição foi apresentar e detalhar a norma Euro 5, até então uma novidade para grande parte do setor. Nesta edição, a palavra da vez é eficiência. Afinal, os tempos atuais não permitem qualquer desperdício. “A utilização das novas tecnologias em prol da eficiência será o principal tema e as empresas expositoras se prepararam para propor soluções”, afirma Picolo, recordando que foi justamente a tecnologia a principal responsável pelas mudanças mais significativas no setor nos últimos anos.

“A tecnologia embarcada nos veículos de transporte mudou a dinâmica dos negócios. Além da segurança dos profissionais envolvidos e da carga transportada, hoje é possível saber detalhes do trajeto percorrido desde a fábrica até o varejo e com isso diminuir desperdícios e maximizar resultados. Saber com exatidão o melhor trajeto, o consumo de combustível ou saber quanto tempo um veículo ficou parado à espera da carga são fatores decisivos para a viabilidade de uma operação de transporte. No congresso da Fenatran 2015 vamos apontar o futuro do setor”, completa o executivo.

Além disso, a edição deste ano buscará dar espaço às pequenas e micro empresas que se habilitarem a fornecer para o setor de transporte rodoviário de cargas. A ação é importante justamente porque incentiva a movimentação de empresas que, em períodos de crise, são justamente as primeiras a jogar a toalha, por falta de conhecimento ou mesmo de capilaridade financeira.

“O projeto tem como objetivo permitir que empresas iniciantes no mercado possam apresentar seus produtos e serviços aos principais compradores do setor e aproveitem todas as oportunidades geradas para promoção e criação de negócios. A ideia é que essas empresas tenham sua participação facilitada, com um pacote que inclui área, montagem, ferramentas de promoção, como a participação no site, informativos eletrônicos e redes sociais da Fenatran 2015 e possam aumentar assim a sua participação no mercado”, explica a organização do evento.

O jeito, portanto, é aproveitar a oportunidade da Fenatran para, quem sabe, encerrar o ano com novos negócios. Começar 2016 com novas cartas na manga será um fator essencial para aqueles que quiserem sobreviver num cenário de crise prolongada.

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