Revista Mercado Automotivo

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Revista Mercado Automotivo | Edição 232

MATÉRIA DE CAPA - Edição 232: Maio DE 2014
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Por Cléa Martins

Disponibilizada no final da década de 90 aos brasileiros, a internet arrasta hoje pelo menos 105 milhões de pessoas no País para frente dos computadores, segundo levantamento do Ibope Mídia. E o que elas fazem na rede? De tudo, encontram amigos, batem papo, pesquisam e também compram. Pesquisa do E-bit – empresa especializada em informações do comércio eletrônico – mostra que 51,3 milhões de pessoas aqui no Brasil já utilizaram a internet para adquirir algum produto. Só no ano passado, 9,1 milhões de consumidores compraram on-line pela primeira vez.

Ainda segundo o estudo da E-bit, o e-commerce brasileiro cresceu 28% em 2013, quando faturou R$ 28,8 bilhões. O tíquete médio dessas compras foi de R$ 327. Entre as categorias de produtos mais vendidos estão os itens de ‘Moda & Acessórios’, que pelo segundo ano liderou o ranking de vendas on-line. Atrás dela, ‘Cosméticos e Perfumaria’, ‘Eletrodomésticos’, ‘Livros e Assinaturas de Revis­tas’, ‘Informática’ e ‘Telefonia’, entre outros.

Embora ainda não lidere os rankings de maior comercialização da internet, o setor automotivo tornou-se uma das principais categorias, no varejo, de interesse dos consumidores. Segundo o Ibope Mídia, os sites automotivos estão entre os mais populares no País, com o maior aumento no número de visitantes únicos. Ainda segundo levantamento do instituto de pesquisa, parte dessa popularidade é reflexo do crescente interesse dos consumidores em adquirir veículos novos.

Embora em um ritmo menor do que as vendas de produtos com menor valor agregado, a comercialização on-line no setor automotivo também cresce. Pesquisa da Online Retail Index, produzida pela E-Consulting, previa um crescimento de 20,6% nas vendas on-line de carros, motocicletas e peças para o ano passado.

Mas mesmo que ainda falte coragem para fechar o negócio pela internet, todo o planejamento de compra já é feito com base nas pesquisas da rede. Levantamento feito pela Navegg, empresa brasileira de análises na web, aponta que mais de 60% dos usuários de internet usam este canal para planejar a compra de veículos.

Na reposição

No que se refere à pesquisa de preços e outras condições de compra, no segmento de autopeças não é diferente. Levantamento realizado pelo Google em parceria com a Millward Brown Digital, aponta que sete entre 10 proprietários de veículos analisam a compra na internet antes de adquirir uma autopeça, seja no varejo off-line ou virtual. E mais, pelo menos um terço dos entrevistados disse já ter comprado ou visitado varejistas após ter assistido vídeos na web.

Essa mudança de hábito do consumidor e o crescimento constante de 30% em média das vendas realizadas pela internet no País têm sido acompanhados de perto pelo Sincopeças – Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos no Estado de São Paulo –, que, junto com os Correios realizou, no dia 4 de abril, durante a última edição da Automec Pesados & Comerciais, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, o evento ‘V@rejo On-line’: “O e-commerce é um importante canal de vendas e não podemos perder esta oportunidade de gerar negócios”, afirmou na ocasião Francisco Wagner de La Tôrre, presidente da entidade.

Para os mais céticos, dados do E-bit específicos sobre o setor de autopeças mostram que cerca de 700 mil pedidos de componentes automotivos são feitos por mês na internet. Além disso, em 2013, 52 milhões de pedidos de autopeças foram efetivados na rede, totalizando um montante de R$ 23 bilhões em vendas, com tíquete médio de R$ 350.

Esse enorme potencial de negócio atraiu gente nova para o setor. Uma plataforma B2B (sigla em inglês para relações comerciais entre empresas – de negócio para negócio) e B2C (de empresa para consumidor final) dedicada apenas para autopeças foi lançada no País, no ano passado, a Canal da Peça. O site é o primeiro shopping on-line brasileiro dedicado ao varejo de autopeças. “Estudamos vários setores para construção de um marketplace e encontramos na indústria automotiva uma grande oportunidade por conta de suas características peculiares”, assinala Vinicius Dias, diretor executivo e cofundador do Canal da Peça.

Essas particularidades têm a ver com o alto número de players, marcas e itens do setor, além do tamanho do território nacional: “Avaliamos ter uma oportunidade promissora de estruturar uma plataforma web para transacionar produtos entre todos os atores da cadeia, do fabricante ao varejista, o mecânico e o próprio consumidor, que hoje usa massivamente a internet para pesquisar peças, fornecedores e prestadores de serviços”, explica o executivo que, neste ano, planeja alcançar um faturamento de R$ 15 milhões. (Leia mais no box Canal da Peça.)

Outra realidade

Longe ainda do mercado milionário e até do real entendimento do e-commerce, milhares de varejistas de autopeças ainda esperam seus clientes ligar ou aparecer no balcão. Não são raras as lojas brasileiras que não possuem site ou mesmo internet. Ciente desta realidade, o presidente do Sincopeças admite que ainda é cedo para saber como o e-commerce vai evoluir. Mas é importante que os lojistas entendam que é preciso começar a investir nesse canal já. “É preciso promover a conscientização sobre a importância dos meios eletrônicos (sites, e-mails, e-mails marketing e até e-commerce) como forma de otimizar as vendas no varejo. Por isso, este tem sido um assunto permanente na pauta do Sincopeças-SP, com realização de palestras, notícias, artigos e entrevistas com especialistas sobre comércio eletrônico”, diz La Tôrre.

Investimento, concorrência e gestão

O presidente do sindicato explica que, para iniciar as operações na rede não é preciso fazer grandes investimentos. Se o lojista optar por utilizar uma plataforma terceirizada, é necessário apenas que conte com um computador e serviço de banda larga. O que não pode falhar, em hipótese alguma, diz La Tôrre, é a precisão da informação passada ao cliente, como disponibilidade do produto e prazo de entrega, entre outras.

Para Jairo Lobo Migues, consultor do Sebrae-SP, que ministrou uma das palestras no encontro do Sincopeças-SP, na Automec, o planejamento, ferramenta vital para a saúde e o crescimento da empresa no mundo físico, também é primordial no negócio digital. E esse planejamento passa pela previsão da criação do site da empresa, desde o registro do domínio e contratação do provedor de hospedagem até a adoção de parcerias que permitam disponibilizar ferramentas que caracterizam o e-commerce, como as de pagamento e logística.

E para quem pensa que essa parte de implantação do sistema é a mais complicada ou cara, Migues explica que existem plataformas gratuitas na internet que podem ajudar os varejistas. Neste caso, o pagamento do serviço prestado é feito com repasse de porcentagem da venda efetivada para o site. Quem preferir, ainda há a possibilidade de criar o próprio site. “Os valores podem variar bastante, principalmente quando você contrata uma equipe para fazer o serviço ou disponibiliza ferramentas ou funcionalidades mais modernas ao canal”, explica.

Site no ar, agora é só esperar o pedido, certo? Errado. Para Migues o segredo da internet está na divulgação. “Para isso o lojista tem que contar com verba de marketing”, afirma o consultor, que acrescenta a relevância de estar nas primeiras páginas de procura de sites de pesquisa, como o Google: “A principal dificuldade não é efetivamente vender, mas se estruturar para entrosar política de troca, política reversa, vendas, programa de manutenção do cliente e acima de tudo isso a propaganda”.

Já para aqueles que ainda não se sentem prontos para o e-commerce, o consultor do Sebrae dá uma dica: “Comece por marcar presença na internet, disponibilizar um e-mail para o seu cliente, abrir uma página em comunidades virtuais. É importante marcar presença”.

O setor de moda é bom exemplo de sucesso do e-commerce e mostra que um bom trabalho na internet pode render resultados positivos bem antes do esperado. Essa categoria, que não aparecia no Top 5 do ranking de vendas do E-bit, terminou 2012 e 2013 como líder de vendas. Para Migues, reflexo do entendimento do setor de como funciona o e-commerce e, sobretudo, da sua reestruturação. “O comércio eletrônico é relativamente novo e as empresas estão todas em processo de aprendizagem, adaptando e se readaptando todo o tempo. Tudo pode ser vendido na internet hoje, por que não? Mas é preciso planejamento”, explica.

Se a internet ajuda a promover as vendas, também aproxima mercados. E a concorrência na rede é ainda mais acirrada que no mundo físico. “O investimento em publicidade é fundamental, pois existe algo próximo de 3 bilhões de sites na internet e você tem de se destacar nesse imenso universo”, explica La Tôrre, que completa: “Se o reparador não encontra a peça que procura no canal em que está acostumado a usar, no caso o varejo, ele precisa encontrar esse produto de alguma maneira, nem que seja recorrendo a sites internacionais. O carro está parado e precisa ser reparado. Também precisamos considerar que, nos últimos anos, houve uma grande diversificação de modelos e marcas de veículos. Em certos casos de modelos importados de baixa saída é difícil achar a peça de reposição no Brasil até via montadora”.

Estrutura e logística

Além do investimento em marketing, o e-commerce também demanda uma estrutura física eficiente por trás do computador. E isso tem custo, explica o consultor do Sebrae, por isso ele reforça a necessidade de planejamento, não apenas para promover uma boa experiência de compra ao consumidor, mas o encantamento.

A seleção de parceiros pode ajudar a resolver parte destes problemas, pelo menos no que diz respeito à logística, explica Michel Herrera, gerente de Atividades de Vendas em São Paulo, Região Metropolitana do Sebrae: “O comércio eletrônico é muito promissor, no entanto, o empresário que não estiver preparado pode não obter os resultados esperados. Uma dica, além de buscar ajuda do Sebrae, é recorrer a programas de capacitação, como os do Ciclo MPE-net da Câmara e-Net”.

Em relação aos Correios, que só no ano passado entregaram mais de 56 milhões de encomendas, sendo 61,5% na modalidade expressa (Sedex), Herrera diz que os serviços de entrega disponíveis são: Sedex, para todas as cidades brasileiras, E-Sedex, para 205 cidades, e PAC, para todos os municípios.

O SIGEPWEB – Sistema de Gerenciamento de Postagem via internet – é outra ferramenta dos Correios que pode ajudar os varejistas a alçarem voo na internet, aponta o executivo: “Ele permite ao empresário um gerenciamento de todas as suas postagens emitindo os documentos e as etiquetas necessários, além de auxiliar no traking da mercadoria. Não há custo para a utilização do sistema, basta que o cliente possua um contrato para postagens com os Correios e os requisitos básicos são apenas um computador com impressora e acesso à internet”.

O serviço de logística reversa também é oferecido pelos Correios, além de preparação de lista de encomendas e emissão de relatórios de informações por período e gerenciamento de encomendas.

Os problemas mais comuns hoje relacionados à entrega de produtos, diz Herrera, estão relacionados à falta de informação ao cliente do valor do frete e das opções de entrega e prazos. Além disso, tem muita empresa que ainda preenche erroneamente o endereço do destinatário.

Com planejamento, bons parceiros e vontade é sim possível que os varejistas não apenas comecem a marcar presença na internet, mas a tornem parte importante de seu negócio, pois com crescimento consolidado já há alguns anos na casa dos dois dígitos, acreditam os especialistas, o e-commerce não é uma onda passageira: “A internet é definitivamente um caminho sem volta, como foi para todos os mercados que entraram no mundo digital. As vantagens, a economia e velocidade que a internet promove vão, aos poucos, tomando conta dos modelos de negócio”, diz Vinicius Dias.

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