Revista Mercado Automotivo

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Revista Mercado Automotivo | Edição 227

MATÉRIA DE CAPA - Edição 227: Novembro DE 2013
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Por Weslei Nunes e Cléa Martins

Ao que tudo indica, 2013 está longe de ser um ano inesquecível para o setor automotivo brasileiro. Seguindo o receio generalizado que ronda a economia nacional, a cadeia automotiva também não tem grandes expectativas de fechamento para este ano e as previsões para 2014 são rasas e tímidas. Contudo, na visão do setor, nem este nem o próximo ano serão inteiramente ruins – apenas discretos.

Entre os vários segmentos do setor, somente as importações de veículos registram forte queda no acumulado do ano (de janeiro a setembro). Segundo a Abeiva (Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores), são 18,7% de retração frente a igual período de 2012. Neste percentual incluem-se também os veículos pesados (caminhões e ônibus).

A explicação para a brusca diminuição de modelos importados no País é, principalmente, as restrições criadas pelo governo para evitar déficit comercial e, sobretudo, garantir a produção local, o que gera emprego e crescimento econômico para o País.

Nesse sentido, a estratégia do governo tem impactado diretamente na produção nacional. Segundo dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a fabricação de veículos no Brasil já acumula alta de 13,9% no ano e deve fechar 2013 com crescimento de 11,9%. A entidade previa 4,5% no primeiro semestre do ano.

Quanto à venda de veículos, as expectativas da associação das montadoras também prevê crescimento, embora muito mais contudo; estima algo entre 1% e 2% ante o ano de 2012. Anteriormente a Anfavea chegou a prever aumento de 3,5% a 4,5%, mas revisou os números. Se confirmados os novos cálculos, a venda real será de 3,88 milhões de unidades. Esse crescimento tímido será o menor desde 2006. Porém, será a sétima alta consecutiva do setor, o que é um recorde.

Em ascensão também está, e deve se confirmar até o fechamento do ano, o mercado de veículos usados. De janeiro a setembro, foram 4,7% de crescimento. Os dados são da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

A reposição

Diante desse cenário, os impactos diretos na reposição não poderiam ser diferentes. Em volume de faturamento, a fabricação de autopeças registrou o crescimento de 5,7% no acumulado de janeiro a agosto, segundo levantamento do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores). As previsões da entidade para o ano são de 2,7% de crescimento, seguindo o ritmo dos demais segmentos automotivos. Contudo, a assessoria de imprensa do Sindipeças afirma que esses números podem ser revistos, tanto para o ano de 2013 quanto para 2014, quando a entidade estima crescer 4,5%.

A participação das autopeças destinadas ao setor de reposição deve se manter praticamente estável; segundo o sindicato representante das empresas fabricantes, o percentual desse mercado deve se fixar em 14,8% este ano e 14,9% no ano que vem. Esses números também podem ser reajustados ainda este ano, mas não devem variar muito.

Outro mercado que já está basicamente fechado é o da distribuição. “Os resultados mostram que, para a distribuição, o mercado vem se mantendo num ritmo um pouco melhor em relação a 2012, mas não foi tão bom como esperávamos”, afirma Renato Giannini, presidente da Andap (Associação Nacional dos Distribuidores de Autopeças).

Segundo Giannini, o ano teve pontos positivos e negativos que influenciaram nesse resultado. “Os aumentos de preços no segmento estão ocorrendo somente neste final de ano, em vista dos repasses de reajuste salarial ocorridos em acordos coletivos [entre as classes empresarial e trabalhadora]. Esta estabilidade de preços contribuiu para que não houvesse compra especulativa, prejudicando ainda mais as margens que já estão aquém do esperado. Outro fato relevante é que, com o aumento do dólar, ou seja, desvalorização do real, a mercadoria interna ficou mais competitiva entre as indústrias, tanto na exportação como no mercado interno, sem contar com o aumento da frota em circulação”, explica o executivo.

Para ampliar a margem de crescimento e garantir avanços ao setor, a distribuição precisa superar alguns desafios do presente. “Precisamos, junto com a Secretaria da Fazenda, buscar uma MVA (Margem de Valor Agregado) menor, para ficarmos competitivos em relação aos outros Estados. As entidades, Sindipeças, Sicap (Sindicato do Comércio Atacadista de Autopeças) e Sincopeças vêm trabalhando fortemente para termos um índice menor e mais justo para o setor. As empresas terão de investir pesadamente nos sistemas de informática para atender às exigências tributárias, que estão cada vez mais complexas”, argumenta Giannini.

A Andap não tem previsões concretas para 2014, mas prevê para o setor o impacto de eventos importantes, previstos para meados do próximo ano, como as Eleições e a Copa do Mundo. “2014 será uma caixinha de surpresas, pois, de um lado, teremos por parte do governo a liberação de verbas para seus redutos eleitorais, irrigando a economia em vista das eleições, e, por outro, a Copa do Mundo deverá afetar negativamente o nosso setor, devido aos jogos que serão realizados durante a semana, paralisando a nossa atividade comercial, ao contrário do setor de turismo, onde haverá um aumento de demanda substancial”, salienta o presidente da Andap.

Para Francisco de La Torre, presidente do Sincopeças (Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos no Estado de São Paulo), esses grandes eventos não devem influenciar o varejo de autopeças. “O que tem realmente reflexo é o poder de compra do consumidor e o cenário econômico do País. Vendo por esse lado, esperamos que a Copa do Mundo movimente a economia. Já com relação ao período eleitoral, geralmente acaba gerando um compasso de espera e grandes investimentos são adiados, o que não é um fator positivo para a economia. Porém, a frota continua aumentando, fator importante para gerar demanda nas oficinas e, consequentemente, no varejo”, explica.

Quanto ao fechamento do ano, La Torre revela que, no acumulado do ano, há leve crescimento das vendas com relação a 2012, mas o Sincopeças espera que até o final do ano as vendas fiquem mais aquecidas, principalmente por ser um período tradicional de melhor desempenho. “O segundo semestre geralmente é melhor do que o primeiro”, diz o presidente da entidade.

O Sincopeças está adotando novo modelo de pesquisa para medir o mercado varejista. “Passamos a adotar a pesquisa da Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) que avalia vários segmentos, inclusive o varejo de autopeças, o que ajudará na medição das vendas, com resultado mais efetivo. Já começamos a utilizar, mas só daqui a um ano, quando tivermos um histórico com base maior, poderemos fazer um comparativo mais apurado”, diz La Torre.

Para 2014, as expectativas para o varejo são mais otimistas. “Quanto ao desempenho, a expectativa é melhorar o ritmo de crescimento. O empresário deve continuar a fazer as mudanças e adequações necessárias [ao negócio], de acordo com as exigências da nova legislação [tributária]”, comenta o representante do Sincopeças.

O segmento da reparação também está otimista para o próximo ano, mas espera desafios pela frente. Segundo Antonio Fiola, presidente do Sindirepa (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios) e porta-voz do GMA (Grupo de Manutenção Automotiva), alguns desses desafios são: capacitação de mão de obra, novas tecnologias embarcadas nos veículos (que exigem conhecimento ao reparador), variedade de modelos de veículos, que demanda a aquisição e atualização constante de equipamentos, e falta de crédito com condições apropriadas ao setor, que permita investimento das empresas.

A aposta da reparação para garantir a evolução do setor tem sido lutar pela aprovação do Projeto de Lei 2.917/11, que regulamenta as oficinas no País. “Estamos criando uma agenda política para levar reivindicações importantes do setor a entidades e representantes políticos”, afirma Fiola.

O setor deve fechar este ano com leve crescimento em comparação ao mesmo período de 2012. De acordo com Fiola, o aumento da frota circulante tem sido a alavanca para este resultado.

Por outro lado, o porta-voz do Sindirepa elucida um fato que impactou negativamente o setor e impediu que a margem de crescimento da reparação fosse maior. “A mudança das regras da inspeção ambiental veicular foi um fato bem negativo para o setor de reparação de veículos. Além de diminuir o movimento nas oficinas situadas na capital paulista, também prejudica a imagem do programa que está prestes a ser implantado em outros municípios, gerando muitas dúvidas e descrédito. [Com isso,] tivemos um retrocesso muito grande.”

Entre fatores positivos e negativos, tanto a reparação quanto os demais elos da cadeia automotiva seguem para 2014 com otimismo moderado.

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