Revista Mercado Automotivo

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Revista Mercado Automotivo | Edição 225

MATÉRIA DE CAPA - Edição 225: Setembro DE 2013
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Por Weslei Nunes e Cléa Martins

Para competir no mercado de reparação e atender a demanda de frota diversificada – com novas tecnologias aplicadas nos veículos –, as oficinas precisam investir constantemente em equipamentos que auxiliam na execução dos serviços. Num mercado no qual as concessionárias brigam cada vez mais por espaço, estar bem estruturado e equipado é sem dúvida um diferencial que não se pode negligenciar.

A rápida evolução dos veículos nos últimos anos tornou a necessidade de estar bem provido de equipamentos e ferramentas uma constante no setor de reparação. “Hoje, para diagnosticar e identificar o problema é necessário usar um scanner para fazer a leitura, o que era impensável há 20 anos. Se a oficina não se modernizar não é possível fazer a manutenção nos veículos mais modernos”, argumenta Antonio Fiola, presidente do Sindirepa Nacional (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios) e Sindirepa-SP.

Em geral, acredita-se que menos da metade das mais de 90 mil oficinas no Brasil estejam adequadamente equipadas com ferramentas e equipamentos de serviço. Antônio Simão Domene, proprietário da oficina Auto Check-Up e ex-instrutor do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), calcula que as oficinas que contam com boa estrutura de equipamentos e ferramental não cheguem a representar nem 30% do total de estabelecimentos no País. “No Estado de São Paulo, acredito que esse número aumente para cerca de 50%. Acho que mais ou menos a metade das oficinas paulistas deve ter pelo menos um scanner para diagnóstico e outros equipamentos essenciais de manutenção. Porém, em alguns outros Estados, a situação chega a ser bem problemática [devido à fraca estrutura dos estabelecimentos]”, diz o empresário.

Fiola também reconhece a falta de estrutura das oficinas em determinadas regiões do País. Mas, para o presidente do Sindirepa, uma questão tem tornado ainda mais difícil a estruturação das oficinas: “O problema é que ainda faltam linhas de crédito específicas para os empresários da reparação que encontram dificuldade em obter capital para investir em novos equipamentos. Há oficinas modernas, mas outras ainda não se modernizaram”, salienta.

O presidente da entidade explica que o reparador, na grande maioria, é microempresário e ainda precisa arcar com o parcelamento do valor dos serviços aos clientes, com o alto custo do aluguel do imóvel (onde funciona a oficina), bem como com a folha salarial, entre outras despesas fixas. “[Logo,] é necessário ter uma boa gestão para programar a compra de equipamentos”, aconselha Fiola.

Domene recomenda que se observe o tempo de amortização de um equipamento ou ferramenta antes da compra. “A verdade é que os mecânicos se endividam para comprar ferramentas; muitos deles porque adquirem um produto sem ter demanda de serviço suficiente para amortizar a dívida. Na Auto Check--Up, compramos, recentemente, um analisador de gases automotivos [que é um equipamento caro], mas nossos clientes pediam isso. Havia demanda. É isso que precisa ser levado em consideração”, adverte o reparador.

Outra questão que o proprietário da Auto Check-Up ressalta é referente à rapidez com que os equipamentos ficam desatualizados. “Existem equipamentos que foram feitos especificamente para Chevrolet Monza e que hoje estão obsoletos, usados apenas por oficinas específicas para atender esse tipo de veículo. Trata--se de um equipamento que não é vantajoso ter no estabelecimento. Não adianta sair comprando tudo, é preciso se equipar com cautela”, diz.

Essa atenção na hora de comprar um equipamento é recomendada até mesmo pelo próprio fabricante de produtos. Fernando Ferreira, responsável pelos conteúdos de marketing e de divulgação técnica da Raven Ferramentas, aconselha que o reparador inclusive pesquise os preços das ferramentas de serviços em diversas lojas físicas e pela internet. “Há uma grande variedade de preços no mercado. Por isso é importante buscar mais de uma opção de fornecedor. Pesquisar em sites de compra específico para o setor pode ser uma boa maneira de encontrar o melhor preço. O que vale a pena é o reparador procurar bem antes de fechar a compra”, diz o porta-voz.

E as dicas não param por aqui. Ferreira, no entanto, aconselha aos reparadores não levarem em consideração apenas essa questão do custo de uma ferramenta, mas pesar também a qualidade de cada produto. “É imprescindível o reparador analisar o que é oferecido além do produto, como manual e suporte técnicos, entre outros serviços de pós-venda”, alerta.

De olho no futuro

A cada dia, a necessidade de estar bem equipada é maior para as oficinas. No futuro, essa pode ser uma questão de sobrevivência no mercado. “Há muita coisa nova chegando à medida que os carros evoluem. Este ano, visitei a Autopromotec, na Itália, e vi uma infinidade de equipamentos para as oficinas. Há muitas novidades nas áreas de mecânica e funilaria e pintura. Já ouvi falar até de calibrador de sensor”, conta Fiola.

De olho nesse cenário, algumas empresas devem aumentar a oferta de ferramentas nos próximos anos – elas estão apostando que as oficinas vão querer estar mais bem equipadas num curto período de tempo.

A Bosch dá um exemplo claro disso. A empresa, que já atuava na fabricação de equipamentos para os serviços de manutenção, está apostando em um novo nicho de mercado: o de ferramentas. A companhia comprou, recentemente, a SPX Service Solutions, fabricante norte-americana de ferramentas e equipamentos de diagnóstico automotivo, pelo valor de US$ 1,15 bilhão. “Uniremos nosso know-how e nossa experiência neste mercado em crescimento. Nosso objetivo é ser o principal fornecedor mundial de soluções de diagnóstico para todas as montadoras de veículos”, disse Robert Hanser, presidente mundial da divisão Automotive Aftermarket da Bosch, na época do anúncio de compra da companhia.

Segundo Clécio Sanches, gerente de Marketing para o Brasil da divisão de Reposição Automotiva da Robert Bosch, as atividades de negócios da SPX foram integradas à divisão Automotive Aftermarket da Bosch. De acordo com o executivo, a combinação dessas áreas de competência dará à Bosch uma gama maior de clientes e um portfólio mais amplo, e abrirá novas oportunidades de mercado. “A intenção da Bosch é atender tanto pequenas quanto grandes oficinas, assim como as concessionárias também. É importante dizer que uma oficina bem equipada se iguala a um concessionário na prestação de serviços”, afirma.

Além da Bosch, o Taitra (Conselho para Desenvolvimento do Comércio Exterior de Taiwan) anunciou, em meados deste ano, a intenção de algumas empresas taiwanesas fabricantes de ferramentas de se instalar no Brasil. Até agora, nada mais concreto foi divulgado.

Quanto custa se equipar?

Estar bem equipado custa caro. O presidente do Sindirepa explica que esse custo é variável de acordo com o tamanho da empresa. Segundo ele, o investimento mínimo para uma oficina estar bem estruturada, pelo menos com os equipamentos necessários e essenciais, parte de R$ 100 mil. “O investimento tem se tornado cada vez maior devido à necessidade das empresas estarem mais estruturadas, ter espaço amplo, contratar mais colaboradores e promover treinamentos para sua equipe de profissionais”, justifica.

Segundo Fiola, hoje, no caso das oficinas mecânicas, é necessário ter pelo menos um elevador, compressor de ar, equipamentos de diagnóstico, informática, macaco, cavaletes e conjunto de ferramentas básicas para atender clientes-padrão. Já as oficinas de funilaria e pintura precisam de uma rede de ar, cabine de pintura, esticadores, elevador e ferramentas básicas.

A Bosch criou um conceito de oficina adequada à prestação de serviços de manutenção e passou a credenciar os reparadores de pequeno porte que se enquadram a esse padrão e possuem ferramentas básicas. Hoje, a rede de empresas credenciadas, chamada de Original Auto Center, conta com 2.588 oficinas.

Para conseguir o credenciamento é exigido da oficina no mínimo: dois mecânicos; um elevador; computador; acesso à internet; uma média de atendimento de quatro ou mais veículos por dia e registro da empresa (CNPJ – Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica). Esse seria um padrão mínimo para funcionamento.

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