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Revista Mercado Automotivo | Edição 266

Edição 266: Outubro DE 2017
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Por Redação

Em momentos de queda de venda de novos, como registrado nos últimos anos, a reposição é a saída para fabricantes de autopeças manterem as operações estáveis. Com isso, houve aumento de players atuando no segmento, mas o presidente do Sindirepa Nacional e Sindirepa-SP, Antonio Fiola, revela que o mais importante na escolha da marca da peça é confiança na qualidade do produto para que o serviço ao cliente seja realizado de forma eficiente. Acompanhe a entrevista exclusiva em que Fiola destaca a importância de parcerias com as fábricas e também defende a volta da inspeção veicular, como medida que vai, além de movimentar o mercado, ser mais uma ação efetiva para redução de acidentes de trânsito, caso seja incluída a fiscalização de itens de segurança e de emissões.

Revista Mercado Automotivo: Quais as expectativas do setor de reparação de veículos para 2017?

Antonio Fiola: Ao contrário de outros setores, a reparação de veículos vem imprimindo um ritmo bom, pois cuidamos dos veículos em circulação e a frota vem aumentando gradativamente. Isso movimenta todos os elos da cadeia de reposição, o que tem atraído muitos fabricantes para o aftermarket. A reparação deve fechar o ano com resultado semelhante a 2016, quando registrou crescimento no movimento em 10,4%. Essa é a projeção para o setor, o que é muito positivo. Há empresas que estão acima e outras abaixo dessa média devido a uma série de fatores. Mas é preciso aproveitar a ida do consumidor à oficina, oferecer serviços que possam agregar valor ao negócio e também deixar o cliente satisfeito. A tarefa mais difícil é levar o cliente à oficina; depois que ele está lá, o atendimento é que vai fazer toda a diferença.

RMA: O dono está procurando a oficina para fazer mais manutenção preventiva ou corretiva?

AF: A grande maioria busca pela manutenção corretiva, infelizmente. Ainda que haja maior conscientização sobre a manutenção preventiva até por conta da experiência do consumidor que precisou passar pela inspeção na cidade de São Paulo ou pelo programa Carro 100% / Caminhão 100% / Moto 100% que impulsionou a difusão de matérias sobre dicas de manutenção. O melhor jeito de convencimento ainda é sobre imposição de legislação. A inspeção técnica veicular é fundamental para que o dono do carro entenda a necessidade de deixá-lo em boas condições e também ajuda na redução de acidentes de trânsito e emissões de poluentes. A medida surte ótimos efeitos nos países onde foi implantada.

RMA: O que precisa ser feito para estimular a prática da manutenção preventiva?

AF: Como comentei na resposta anterior, acredito que a inspeção técnica veicular seja a forma mais contundente de promover a prática da manutenção preventiva. A mudança de hábito apenas por conscientização leva muitos anos para fazer o efeito necessário de mobilização dos motoristas Brasil afora. Foi assim com todos os países que têm fiscalização da frota.

RMA: Qual foi o impacto da inspeção ambiental veicular para o setor e o que pode ser feito para que o governo retome a iniciativa?

AF: Na cidade de São Paulo, o impacto foi muito positivo. Nos primeiros anos, houve aumento de 20% do movimento nas oficinas. O mais interessante é que o motorista começou a entender a importância de manter o veículo em boas condições, ainda que levasse após ser reprovado na inspeção; já tinha um efeito bem interessante, pois o dono do carro começava a se preocupar com a manutenção. Muitos veículos com mais de 10 anos voltaram a frequentar as oficinas nessa época, um avanço e tanto, considerando que nessa faixa de idade, os mesmos apresentam vários problemas, não só de emissões de poluentes, mas também na parte mecânica que podem colocar em risco a vida das pessoas. Essa é a questão mais importante: segurança no trânsito, carros bem mantidos ajudam a diminuir os acidentes de trânsito.

RMA: Com a queda nas vendas de veículos, houve aumento de marcas atuando na reposição, inclusive importadas e de montadoras. Como fica a relação do reparador diante de um mercado com tanta variedade?

AF: Isso tem acontecido, a reposição virou destaque nos últimos dois anos e muitas marcas novas e modelos de negócios também chegam ao mercado. O reparador encontra um leque maior de opções, mas é preciso ficar atento e saber comprar a peça para não ter problema lá na frente. E qualidade e atendimento de pós-venda e assistência técnica devem estar acima de tudo, inclusive de preço. O que adianta pagar menos por uma peça de qualidade inferior que pode colocar em risco todo o trabalho executado e, mais que isso, a reputação do mecânico? Não vale a pena correr o risco. As marcas reconhecidas pela qualidade e também pelo suporte e parceria que oferecem se destacam das demais. O mecânico precisa confiar no produto que aplica, só assim poderá garantir a eficiência do serviço ao cliente. Um consumidor satisfeito é capaz de influenciar outras pessoas, mas o poder de repercussão do insatisfeito é muito maior, ainda mais com as redes sociais. Você não sabe onde isso vai parar, pode ser devastador.

RMA: Quais são as principais necessidades do setor de reparação de veículos?

AF: As principais são linha de crédito voltada para o reparador e que ofereça condições atrativas para que seja possível investir em equipamentos, melhorias nas instalações e outras necessidades que as micro e pequenas empresas têm. E olha que estamos falando de mais de 123 mil estabelecimentos presentes em todos os munícipios do País. O desafio é convencer as instituições financeiras a investirem no nosso segmento. A entidade busca parcerias nessa área. Outro ponto importante é atualização e capacitação da equipe e acesso às informações técnicas. São questões cruciais, por isso, o Sindirepa-SP possui parceria com o Senai, permitindo que os associados à entidade tenham condições diferenciadas de pagamento em cursos da instituição. Para isso, a empresa deve estar registrada com o CNAE específico de empresa de reparação de veículos. Há também convênio com a TecDoc e a Partlinks para dados e informações de peças e aplicações. Tem ainda o Programa Empresa Amiga da Oficina que conta com mais de 40 empresas, entre fabricantes de autopeças e equipamentos e prestadores de serviços, que promovem uma série de ações aos associados da entidade, entre elas, palestras técnicas que são muito importantes para promover o conhecimento dos profissionais e estreitar relacionamento.
O Sindirepa-SP também acaba de firmar convênio com o IQA-Instituto da Qualidade Automotiva, para certificação de oficinas, uma iniciativa que visa ajudar a melhorar a gestão e produtividade das empresas.

RMA: O que é mais levado em consideração na compra e escolha da marca da peça?

AF: A qualidade e confiança na marca são requisitos primordiais porque o reparador sabe que o risco de ter problema com peça é mínimo. O serviço e o bom atendimento fidelizam o cliente. Ninguém quer refazer o trabalho por causa de peça de má qualidade. Isso é prejuízo e prejudica a imagem da empresa.

RMA: Recentemente, o Sindirepa Nacional lançou o anuário da reparação. Poderia falar um pouco do projeto e o que motivou a fazê-lo?

AF: É um anseio antigo do setor de reparação que se concretizou este ano. O anuário traz números e informações do setor preenchendo uma lacuna. Hoje está à disposição para consulta no site do Sindirepa Nacional qualquer dado da reparação. Isso fortalece e traz união ao setor. É uma conquista muito importante.

RMA: Quais são os desafios do setor? O que esperar para 2018?

AF: Os desafios surgem com as novas tecnologias que chegam, a cada lançamento uma novidade e uma evolução, por isso, a atualização é constante.Fazer a gestão e conseguir manter os resultados ainda que seja necessário aumentar o movimento para chegar ao mesmo faturamento. O consumidor está pensando muito antes de gastar diante da situação econômica do País. 2018 será um ano de eleições e, consequentemente, traz uma certa insegurança à população, agravada com a crise política que vivemos. Enfim, é necessário ter foco, trabalho e seguir em frente, apesar do cenário conturbado. Quem estiver preparado para atender o cliente, sem dúvida estará em situação favorável porque a frota circulante gera demanda já que as pessoas estão ficando mais tempo com o carro e vão precisar fazer manutenção. É esse o grande diferencial da reposição, mas para atender a demanda o reparador precisa fazer a lição de casa.

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