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Revista Mercado Automotivo | Edição 263

Edição 263: Julho DE 2017
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Por Redação

Se você já trabalhou em uma grande ou média empresa certamente já se perguntou por que algumas pessoas tão qualificadas são despedidas, enquanto outras relativamente inferiores no que diz respeito à qualidade do trabalho executado permanecem em seus cargos por anos a fio. A resposta está na chamada etiqueta empresarial.

O desemprego, de fato, voltou a representar uma dor de cabeça gigante aos brasileiros nos últimos anos. Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que no trimestre referente aos meses de fevereiro a abril, o índice de desemprego no Brasil atingiu 13,6%, em média, o que representa mais de 14 milhões de brasileiros desempregados.

Logo de início, quando falamos de desemprego, é natural pensarmos que os desligamentos são motivados, em sua maioria, por deficiência técnica. Em alguns casos, acreditamos que a empresa preferiu simplesmente manter em seu quadro de trabalho o profissional mais qualificado, com melhor formação e/ou habilidades profissionais.

O que não se leva em consideração nestas análises é que a demissão é motivada, na maioria das vezes, por problemas comportamentais e não por deficiências relativas ao trabalho desempenhado. Pare para pensar nas últimas pessoas que foram desligadas de sua empresa.

Tenha a certeza de que, com exceção daqueles que foram demitidos em razão do salário ou de outras questões mais específicas, a maior parte foi desligada porque seu comportamento estava aquém do esperado pela empresa. Ainda que tenha ocorrido um corte de profissionais na companhia, certamente boa parte dos demitidos entrou no indesejável grupo devido a atitudes e comportamentos passados e não por conta de como exercia suas funções.

Cada vez mais as empresas têm se atentado à chamada etiqueta empresarial. Isso porque, quando ela não é eficaz no cotidiano de trabalho, a companhia perde duas vezes: ao ficar com um profissional menos qualificado e ao ter de optar por desligar alguém que é bom no que faz, mas que tem uma série de problemas comportamentais. Para Ricardo Barbosa, diretor executivo da Innovia Training e Consulting, o impacto da implementação desse tipo de ação é fundamental para a manutenção e o crescimento de uma empresa.

Para sustentar sua opinião, Barbosa menciona um estudo realizado pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que mostra que dois terços das demissões nas empresas são causadas por dificuldades de relacionamento com os colegas.

A etiqueta empresarial busca atuar justamente neste cenário. “Isso explica porque pessoas altamente profissionais e competentes no que fazem acabam sendo demitidas de suas empresas e outras – nem tão competentes assim – permanecem, atingindo promoções e melhores oportunidades de carreira.

Logo, podemos concluir que competência técnica não é tudo e que aquelas pessoas que não têm uma boa habilidade para criar relacionamentos, ou seja, etiqueta no convívio, acabam tendo menores chances de sucesso”, afirma Barbosa, que aproveita para explicar o conceito de etiqueta empresarial, tão comumente confundida ou mal interpretada.

“Etiqueta Empresarial é um conjunto de cerimônias usadas no trato entre pessoas e empresas, regidas pela boa educação, bom comportamento, convenções sociais, ética profissional e prescrições oficiais. Seu objetivo é reduzir, ao mínimo, conflitos, preconceitos, atritos, dúvidas, suspeitas e mal entendidos entre o público e as organizações, criando um clima de conhecimento, compreensão, confiança, cooperação e parceria entre as partes que se relacionam”, aponta.

Algumas empresas são muito eficientes ao redigir manuais de trabalho, indicações de atividades práticas que cada um deve desempenhar no exercício de suas funções. Estas empresas, no entanto, acabam se esquecendo de princípios básicos de convivência que muitas vezes são desrespeitados ou ignorados por alguns funcionários.

Em muitas situações, os casos de desrespeito ou de atrito ocorrem independentemente da hierarquia ou da relação profissional entre os funcionários. Portanto, não se trata simplesmente de um problema de chefia ou de “pulso firme”, como alguns costumam acreditar (erroneamente). “Essa preocupação deve abranger todo o contexto da empresa, desde o office-boy até o presidente, todos devem ter uma imagem coesa de etiqueta empresarial”, explica o especialista.

Com o auxílio de Ricardo Barbosa, a revista Mercado Automotivo desenvolveu uma série de tópicos que devem ser observados por quem deseja adequar-se corretamente à etiqueta empresarial e também para aqueles que desejam implementar essas práticas no cotidiano de suas empresas.

Os resultados certamente serão satisfatórios. Algumas recomendações, por mais simples que possam parecer, são muitas vezes negligenciadas por parte da equipe e valorizadas pelo restante, o que pode gerar graves conflitos internos. Confira a seguir:

Pontualidade
De acordo com o especialista, a pontualidade deve ser um ponto de honra no ambiente empresarial. Esqueça, portanto, aquela máxima de que o brasileiro sempre considera “alguns minutinhos” como toleráveis. Isso só funciona (se é que de fato funciona) em situações sociais, fora do ambiente de trabalho.

E ainda pode lhe gerar diversos ruídos se você ou alguém da sua equipe tiver que lidar com profissionais de outros países, mais rigorosos no cumprimento de prazos e na pontualidade de forma geral. Para Barbosa, ao assumir um compromisso, este deve se tornar sua responsabilidade, principalmente o horário.

“Organize-se para chegar na hora todos os dias e para cumprir com os prazos propostos. Caso perceba que não será possível cumprir com o compromisso no horário, ligue ou peça para ligarem informando sobre o atraso”, explica.

Vestimenta
Um item que parece absurdamente simples, mas que costuma gerar diversas confusões no cotidiano de empresas de variados setores. O recomendado aqui é utilizar roupas discretas, sem modismos, já que a vestimenta representa muito para as outras pessoas, inclusive para aquelas que estão visitando sua empresa ou estão só de passagem.

“Decotes e cores berrantes, dentre outros erros, devem ser evitados, sob pena de perder a seriedade. Tome cuidados com higiene pessoal”, complementa. E muito cuidado se você precisa chamar a atenção de alguém em relação a esse ponto. Para evitar problemas e interpretações erradas, chame a pessoa para conversar e esteja acompanhado de outro diretor ou de um funcionário dos Recursos Humanos. Exponha a situação e explique que não se trata de uma opinião pessoal, e sim de uma política da empresa que deve ser respeitada por todos os funcionários.

Cordialidade e prestatividade
Barbosa chama a atenção para o ditado de que a primeira impressão é a que fica. Para ele, esse conceito deve ser levado a sério, o que significa que devemos sempre ser cordiais e prestativos já em um primeiro contato. É preciso ainda saber ouvir e falar na hora certa. Para facilitar os negócios, tenha sempre cartões profissionais com você. Assim, você nunca estará desguarnecido e poderá expressar melhor uma personalidade cordial e prestativa.

Educação
Parece básico, certo? Mas ainda é preciso destacar e chamar a atenção. Conforme orienta Barbosa, sempre ao entrar em um local peça licença, busque cumprimentar todas as pessoas que estiverem no local. No entanto, para evitar constrangimentos, apenas estenda a mão para cumprimentar se o interlocutor o fizer primeiro, e só se sente se for convidado por ele.

Comunicação
Na esteira do item anterior, busque comunicar-se corretamente com as pessoas. O recomendável aqui é olhar nos olhos, demonstrar atenção ao que estão falando, não se distrair durante a conversa e busque estabelecer um diálogo. É claro que imprevistos acontecem, mas é muito desagradável conduzir uma reunião ou uma conversa diante de uma plateia que está ocupada com seus celulares ou tablets.

Postura
Barbosa ressalta que é importante manter uma postura correta no ambiente de trabalho, evitando, por exemplo, cruzar os braços ao tratar diretamente com uma pessoa. O especialista também recomenda que o profissional evite se sentar de qualquer jeito, jogando o corpo na cadeira, por exemplo. É importante uma boa acomodação, porém ereto e de forma adequada ao ambiente.

Adequação
Ainda que boa parte dessas recomendações possam ser aplicadas nas mais diversas corporações, boa parte das empresas possui códigos de ética e de conduta para seus próprios funcionários. Procure sempre se informar onde trabalha a respeito desse material e leia-o com atenção. Pode acontecer, por exemplo, de um comportamento ser admitido em uma empresa e considerado inadequado em outra. O uso de redes sociais, por exemplo. Enquanto determinadas companhias bloqueiam ou rejeitam qualquer uso de redes sociais pessoais durante o expediente, algumas entendem a prática como normal, embora adotem algumas restrições de uso.

Organização
Seja organizado e demonstre isso, aponta Barbosa. Para ele, é preciso planejar adequadamente seu tempo e sua mesa, mantendo papéis e arquivos de computador nos devidos lugares. Pense que outros funcionários poderão precisar acessar esses documentos na sua ausência. Aquela “bagunça que só você entende”, portanto, não é bem vista em um ambiente de trabalho sério. É claro que cada profissional tem suas individualidades em seu espaço de trabalho, mas isso não significa deixar sua mesa de “pernas para o ar”, em completo desalinho em relação ao ambiente geral da empresa.

Respeito
Mais um ponto simples, que precisa ser evidenciado: respeite os colegas e o espaço de trabalho. “Não precisa ficar mudo durante o expediente, mas evite ao máximo assuntos que exponham o seu lado pessoal ou o de alguma outra pessoa. Fofocas nunca combinaram com o ambiente profissional. Além disso, adeque a altura da sua voz ao ambiente”, completa o especialista.

Celular
O especialista recomenda cuidado com a utilização de celulares no trabalho. “Evite ligações pessoais e caso estas ocorram, busque ir para um local privado. Não fale demasiadamente alto e muito menos utilize termos de baixo calão. Cuidado com o toque do celular, o correto é deixá-lo no modo silencioso”, afirma.

Amizades
Amizades no ambiente de trabalho é um tema delicado, de acordo com Barbosa. Para ele, é muito importante diferenciar amigos de colegas de trabalho, principalmente no ambiente da empresa. Esse limite pode ser útil quando for necessário realizar uma cobrança ou fazer
um feedback.

Comportamento
Por fim, Barbosa chama a atenção para dois pontos no cotidiano profissional: bom humor e “jogo de cintura”. O primeiro é uma necessidade nas empresas, segundo ele. “Quando estiver tendo um dia difícil, reflita se alguém do trabalho tem a obrigação de compartilhar as dificuldades com você. Contudo, cuidado com as brincadeiras. Um ambiente de trabalho descontraído é positivo desde que sejam feitas apenas brincadeiras saudáveis, que promovam um ambiente alegre e equilibrado”, explica.

Em relação ao chamado “jogo de cintura”, Barbosa explica que diante de imprevistos é preciso saber ouvir a opinião dos outros, ainda que os pontos sejam divergentes. Assim, será possível chegar a um consenso cujo objetivo primordial deve ser a evolução da própria empresa. “É preciso saber argumentar e também ceder”, finaliza.

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