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Revista Mercado Automotivo | Edição 266

MATÉRIA DE CAPA - Edição 266: Outubro DE 2017
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Por A Redação

Foi realizada em São Paulo, no dia 10 de outubro, a 23ª edição do Seminário da Reposição Automotiva. Em novo formato, com novidades em relação ao último evento, o Seminário contou com a presença de centenas de participantes, um público formado majoritariamente por representantes das entidades do setor, fabricantes automotivos, distribuidores, varejistas e reparadores.

O evento foi realizado na Fecomercio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) e promoveu, entre as novidades, a Expo Day, que funcionou como uma exposição de fornecedores para o setor. Dessa forma, quem compareceu ao seminário pôde conferir também um andar exclusivo para expositores da cadeia automotiva. O objetivo era fomentar a geração de novos negócios, num ambiente marcado pelo intenso debate de ideias entre líderes e executivos da indústria.

O questionamento foi constante, desde o início dos debates, promovido por lideranças do setor automotivo. Já em sua fala inicial, na cerimônia oficial de abertura, Rodrigo Carneiro, presidente interino da Andap (Associação Nacional dos Distribuidores de Autopeças) lançou provocações para que a plateia começasse a avaliar de forma mais crítica o cenário em que estão inseridos.

“Estamos ante a evolução tecnológica com novas soluções, motores e mudanças em termos de energia dos veículos. Será que estamos preparados para gerir nossos negócios diante de tantas transformações?”, questionou o representante da Andap.

Já Elias Mufarej, coordenador do GMA (Grupo de Manutenção Automotiva), destacou a reformulação do evento, responsável por trazer diversas novidades a um público que anseia por novidades. “O setor de reposição passou a ser mais importante na cadeia, ajudando a indústria automotiva a passar pela crise. O mercado está em franca expansão, exigindo muito trabalho do setor”, afirmou.

Presidente do Sindirepa-SP (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo) e Nacional, Antonio Fiola abordou em sua fala inicial a importância da inspeção veicular. Fiola também destacou o projeto de lei para regulamentação de oficinas, um tema debatido pelo governo há anos, mas ainda não aprovado. “O setor vem investindo e se profissionalizando, lançando anuário e normas. Espero no ano que vem comemorar os pleitos pendentes, bem como novos, com mais reciprocidade do poder público”, completou.

Heber Carlos Carvalho, vice-presidente do Sincopeças-SP (Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos no Estado de São Paulo), foi mais uma liderança a falar logo no início do evento. Carvalho ressaltou que o Sindicato tem feito alguns pleitos, tais como a implementação da inspeção veicular para toda a frota, a não liberação do sistema de peças usadas relativas à segurança dos veículos, bem como a avaliação da substituição tributária em autopeças.

Na sequência, o público presente teve a oportunidade de conferir a palestra de Carlos Júlio, professor, empresário, escritor e colunista da rádio CBN. Em sua exposição, intitulada O Mundo das Disrupções e das Mudanças na 4ª Revolução Industrial, Júlio destacou a importância de movimentar-se em meio a um cenário de crise, que traz inúmeros desafios e também oportunidades.

Júlio falou sobre as principais novidades apresentadas pelas primeiras Revoluções Industriais: a máquina a vapor na primeira, a eletricidade na segunda, a internet na terceira e o fato de todas as ciências começarem a conversar entre si nesta quarta revolução. Segundo estudos apresentados pelo palestrante, só irão sobreviver nas próximas décadas as empresas que crescerem em um ritmo de dois dígitos todos os anos. Para alcançar este resultado desafiador, de acordo com ele, somente a partir de “disrupturas”.

“O mundo chamado disruptivo é repleto de oportunidades”, completou o palestrante. Nesse contexto, Júlio destacou que é a curiosidade que leva a transformações e que, dessa forma, quem ficar parado não conseguirá obter resultados positivos.

Logo depois, foi a vez de Renato Meirelles, sócio e presidente do Instituto Locomotiva, apresentar ao público a palestra “O Mercado sob a Ótica da Demanda”.

Meirelles trouxe dados atuais e importantes a respeito do mercado, especialmente sob o ponto de vista da demanda dos consumidores. De acordo com ele, por exemplo, 103 milhões de consumidores no Brasil não se identificam com as propagandas exibidas pelas marcas. O número é expressivo e destaca que boa parte dos brasileiros não consegue se conectar adequadamente com as empresas, deixando, portanto, de consumir.

A crise econômica que o Brasil enfrenta também deve ser levada em consideração por executivos e gestores. De acordo com o palestrante, no cenário atual os brasileiros passaram a dar mais importância para o preço e a qualidade na hora de consumir. Além disso, um terço tem valorizado mais as marcas que irão consumir no momento crucial em que definem suas compras. É o custo-benefício que tem sido levado cada vez mais em consideração.

Outro ponto destacado por Meirelles é a mudança no entendimento do brasileiro em relação ao empoderamento do consumidor. As diferentes características de cada um devem ser levadas em consideração pelas marcas, pois já é quase impossível satisfazer uma família inteira com um único produto, uma única solução. É nesse cenário que Meirelles questiona: como está seu portfólio para atender esses diferentes públicos?

O palestrante concluiu indicando que as práticas de sucesso com relação aos consumidores passam pelo relacionamento (tecnologia e política de relacionamento); capilaridade (disponibilidade de produtos e serviços em local de fácil acesso); clareza, didatismo e transparência (comunicação clara e honestidade nos processos); identificação e parceria (referências próximas e realidade do consumidor); prestação de serviço (que seja percebido como relevante) e preço justo (compatível com a entrega).

O público do seminário conferiu na sequência a palestra de Antonio Maciel, ex-presidente da Ford Motor Co. Brasil e da Caoa. Maciel falou sobre “O Futuro do Mercado Automobilístico” e explicou que o Brasil ainda tem considerável espaço disponível para o crescimento do setor automotivo. De acordo com ele, o Brasil conta hoje com 4,7 habitantes por veículo, enquanto nos Estados Unidos o índice é de 1,2 habitante/veículo.

Maciel também avaliou que a China seguirá com um importante papel no cenário econômico mundial, mas haverá uma mudança significativa na forma como os chineses irão atuar. “Os chineses deixarão de apenas manufaturar produtos e passarão a criá-los, dando origem à geração de dispositivos e de consumidores assimilando conceitos ocidentais”, completou.

Ao falar especificamente sobre a reposição, o palestrante salientou que, com a chegada das novas tecnologias, os reparadores precisam estar rapidamente preparados para atender os veículos conectados. Se não o fizerem, outros certamente o farão, completou.
O ciclo de palestras foi encerrado com a exposição “Mercado sob a Ótica do Varejo”, por Richard Stad, CEO da Aramis Menswear. Stad falou sobre o Omni-Channel, sistema que integra lojas físicas, virtuais e o comprador.

“É preciso se preparar para expandir. Estamos na era da conexão. O ambiente muda e as pessoas se adaptam. O mundo on-line e o físico vão se integrar e é preciso gerar experiência única para o cliente”, afirmou Stad. O palestrante também destacou que, mesmo nos momentos positivos, as empresas devem questionar o que fariam se tivessem resultados piores. Esses pensamentos e conclusões irão balizar os próximos passos a serem tomados.

Por fim, antecedendo os sorteios de brindes oferecidos pelos patrocinadores, o Seminário promoveu um interessante debate entre os palestrantes Renato Meirelles, Antonio Maciel e Richard Stad. Com mediação de Carlos Júlio, eles falaram sobre o futuro da reposição automotiva, destacando que não é possível construir um negócio saudável sem a presença do proprietário, seus valores e vigilância.

Enquanto Meirelles relatou que tanto o B2B quanto o B2C devem estar atentos, pois todas as relações compreendem pessoas com seus respectivos sonhos e medos, Maciel destacou que a proporção de valor entre o B2B e o B2C deve ser observada, pois é preciso viver o negócio do cliente e trazer soluções que agreguem valor.

Já Stad comentou o desafio de conectar franquias e multimarcas, gerar conteúdo e assessorá-los através de ferramentas para disseminar informações. Meirelles ressaltou ainda que as inovações devem ser feitas pensando na percepção do consumidor, e que por isso mesmo é primordial qualificar e levar informações aos vendedores. “É preciso construir a marca para construir relacionamentos”, disse.

Em meio ao debate, Stad destacou que a comunicação deve ser construída de forma que se conecte com a verdade da empresa e também ser acessível aos consumidores. É preciso saber sempre qual o próximo ponto de disruptura que o levará para a próxima curvatura, explicou.
Maciel finalizou o painel considerando que o Brasil tem grande potencial, com uma grande rede de fornecedores de autopeças difícil de ser encontrada em outros países, mas é preciso entender o cliente e suas demandas.

Assim, o Seminário da Reposição Automotiva chegou ao fim com a certeza de ter levantado diversos questionamentos. A conversa, no entanto, não ficou apenas na discussão, suscitando possíveis respostas às diversas interrogações surgidas. Em um cenário de crise e diversas dúvidas, uma discussão qualificada, com líderes e especialistas, apenas reforça seu papel de importância no setor automotivo.

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