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Revista Mercado Automotivo | Edição 267

Edição 267: Novembro DE 2017
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Por Redação

De 2006 a 2012, o mercado automotivo brasileiro viveu o que pode ser considerada uma época de ouro. Graças ao crescimento da economia e da renda média do cidadão, associadas ao incentivo do governo do país, o brasileiro comprou carro como nunca se vira antes.

Se em 2006 o número de emplacamentos de veículos (exceto motos) foi de 1.927.318, em 2012 o índice chegou a 3.801.808, o que representa um aumento de 97%. Famílias inteiras foram às compras e adquiriram veículos novos sem grandes dificuldades, impulsionando assim o mercado automotivo como um todo.

De lá para cá, no entanto, o setor só presenciou quedas. A venda de veículos novos caiu consideravelmente, acompanhando de perto a deterioração da própria economia brasileira, com o país imergindo em uma enorme crise financeira e política.
Nem tudo nesse horizonte, no entanto, são tempestades e trovoadas. Para o setor de reposição automotiva, os anos de 2018 e 2019 anunciam-se como temporadas promissoras para os negócios. Isso porque, quem comprou veículos novos na época de ouro do setor (ou seja, muitos e muitos brasileiros), verá nos próximos anos o fim da garantia de direito dos veículos. Terão de recorrer, portanto, às oficinas e ao setor de reposição como um todo.

Os números positivos já começam a aparecer para quem acompanha o setor de reposição de perto. De acordo com dados divulgados pela consultoria A.T. Kearney, o envelhecimento da frota de veículos no Brasil irá aumentar, consequentemente, a demanda de autopeças no país. Com isso, aponta a consultoria, o setor de autopeças poderá experimentar um crescimento anual de até 7% em seu lucro nos próximos três anos.

O ano de 2017 já tem se mostrado positivo ao setor, com números que vêm agradando desde o início do ano. Em janeiro, por exemplo, na comparação com o mesmo mês de 2016, houve alta de 14% no faturamento líquido do setor de autopeças, mas o desempenho apenas melhorou com o passar do ano. Levando em consideração o período entre janeiro e julho, 2017 registrou aumento de 17% ante os primeiros sete meses de 2016.

O cenário, conforme exposto anteriormente, se explica principalmente pela queda nas vendas de veículos novos e pela opção do brasileiro em investir na manutenção do carro que já está em sua garagem. Ou seja, o brasileiro percebeu que já não conseguiria trocar de carro como o fazia há poucos anos. Dessa forma, a solução passou a ser investir na manutenção do próprio carro, de modo a conservá-lo e evitar qualquer deterioração em seu valor de mercado.

A conclusão é de que o brasileiro está ficando mais tempo com seu carro antes de pensar em trocá-lo. Segundo informações do Sindirepa (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo), a idade média de veículos (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus) aumentou entre 2015 e 2016 de 8 anos e 11 meses para 9 anos e 4 meses. Trata-se do maior índice desde 2006, sendo que é necessário considerar que o número deve aumentar ainda mais nos próximos anos, já que a venda de veículos novos não dá sinais de melhora.

O estudo anual da frota circulante do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores) revelou que o Brasil conta atualmente com 42,9 milhões de veículos. Destes, 34% têm até cinco anos, enquanto quase metade (49%) tem entre seis e 10 anos.

“Como o motorista está postergando a troca do usado pelo novo, a tendência é que haja mais necessidade de fazer manutenção. O ideal, para garantir segurança no trânsito e economia, é cuidar do carro de forma preventiva e não esperar o problema aparecer”, avalia Elias Mufarej, coordenador do GMA (Grupo de Manutenção Automotiva) e conselheiro do Sindipeças.

“A frota está envelhecendo devido à queda na entrada de veículos novos, por conta da crise econômica. Com isso, os motoristas e proprietários precisam prestar mais atenção à manutenção”, completa Mufarej. A idade média da frota brasileira de veículos passou a cair justamente em 2006, quando aumentou consideravelmente a venda de veículos novos. O índice chegou ao menor nível dos últimos 20 anos em 2013, mas passou a subir vertiginosamente nos anos seguintes, acompanhando a queda nas vendas de automóveis novos. A movimentação combinada dos índices apenas comprova as perspectivas de bons resultados para o setor de reposição.

Os próprios sindicatos ressaltam a importância da configuração de um programa de inspeção veicular que tivesse o objetivo de fiscalizar o estado da frota circulante. Isso porque, sem fiscalização, não é possível garantir que os motoristas seguirão com a correta manutenção de seus carros após estes deixarem o período de garantia oficial.

Também por este motivo, as entidades do setor de reposição têm investido em programas como o Carro 100%/Caminhão 100%/Moto 100%, de modo a incentivar que os motoristas pratiquem a manutenção em seus carros de forma preventiva, antecipando potenciais problemas.

Criado em 2008, justamente no momento em que o setor automotivo ampliava seus números, o programa visa conscientizar o motorista a respeito da importância da manutenção preventiva do veículo, justamente para garantir mais segurança no trânsito, redução de emissão de poluentes e consumo de combustível.

“O programa consiste em diversas ações para sensibilizar o proprietário do veículo, divulgação na imprensa com dicas de manutenção e conteúdo e informação sobre orientação para o motorista, além de avaliações gratuitas”, destaca o GMA (Grupo de Manutenção Automotiva), criador do programa, do qual fazem parte as seguintes entidades: Sindipeças, Andap (Associação Nacional dos Distribuidores de Autopeças), Sicap (Sindicato do Comércio Atacadista, Importador, Exportador e Distribuidor de Peças, Rolamentos, Acessórios e Componentes da Indústria e para Veículos no Estado de São Paulo), Sincopeças--SP (Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos no Estado de São Paulo) e Sindirepa Nacional.
Quando se observa alguns cenários específicos, o desempenho do setor de autopeças é ainda melhor neste ano de 2017. Em São Paulo, por exemplo, o setor registrou 20,2% de aumento em julho na comparação com o mesmo período de 2016, segundo dados da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista da Fecomercio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo).

No caso de São Paulo, a expectativa do setor automotivo diz respeito também aos benefícios que podem surgir a partir da possível aprovação do Projeto de Lei 300/2017, que prevê a volta da inspeção veicular na cidade. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o prefeito João Dória (PSDB) afirmou que pretende sancionar o projeto até o final de 2018.

Ainda não há uma data definida para que a proposta seja votada pelos vereadores, mas o projeto tem apoio da maioria dos políticos da Casa. Se aprovada, a proposta prevê multa para os contribuintes que não realizarem a inspeção anual, o que deverá fortalecer ainda mais a ideia de que os paulistanos devem preocupar-se cada vez mais com a correta manutenção de seus veículos. Fortalecendo, consequentemente, o setor de reposição automotiva.

Oportunidades para o setor

Com mais veículos nas ruas brasileiras e mais pessoas decididas a investir na manutenção de seus veículos, cabe ao setor de reposição aproveitar os próximos anos para ampliar seu mercado. Um dos pontos ainda ignorado por boa parte dos empresários do setor é a presença das marcas na internet.

Isso porque grande parte das empresas ainda não consegue compreender a importância que o ambiente virtual tem para futuros e possíveis negócios. O que ocorre atualmente é que muitos consumidores, por não conhecerem pessoalmente oficinas ou marcas em que confiar plenamente, optam por buscar seus fornecedores na internet.

O próprio Sindirepa ressalta a importância de manter atualizado um site com informações e apresentação dos serviços. Assim, o consumidor poderá acessar com facilidade e de forma confiável tudo o que anteriormente buscava apenas nas ruas e através da indicação de amigos e conhecidos.

Essencial, no entanto, é levar a sério a estratégia de atualizar suas informações e sua imagem na internet. Isso porque, pior do que não estar na internet, é marcar presença com um perfil desatualizado e com informações imprecisas.
Portanto, não trate sua presença na internet e/ou nas redes sociais como algo trivial, sem importância, que pode ser feito por quem simplesmente tiver tempo livre na empresa. Pense em um profissional que se dedique efetivamente a esta atividade, buscando diversificar as postagens e publicações, elaborando promoções e ações que possam aproximar a marca dos consumidores.

Os próximos anos prometem, de fato, ótimos resultados para o setor de reposição automotiva. No entanto, de forma óbvia, os resultados não se farão sozinhos. As empresas do setor devem se esforçar para ampliar sua atuação, aproximar-se dos consumidores e consolidar a identidade da marca de forma geral.

Fato que também deve ser destacado é que as autopeças brasileiras não têm ficado restritas ao mercado brasileiro. Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços apontam que, entre janeiro e setembro, as exportações brasileiras de autopeças chegaram a 180 mercados, somando US$ 5,41 bilhões. O resultado é 10,5% superior ao mesmo período de 2016.

A Argentina é o principal destino das peças brasileiras. Do outro lado, é a China quem agora ocupa o primeiro lugar no ranking de importação de autopeças para o Brasil. Nos últimos anos, quem ocupava este lugar eram os Estados Unidos e a mudança apenas comprova (caso ainda fosse necessário) a importância dos chineses para o mercado brasileiro.

As projeções são muito positivas. Resta saber se as expectativas do setor automotivo serão, de fato, comprovadas nos próximos anos ou se a venda de veículos novos sofrerá alguma reviravolta.

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