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Revista Mercado Automotivo | Edição 261

Edição 261: Maio DE 2017
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Por Redação

Quem acompanha o noticiário econômico brasileiro tem notado a venda de uma imagem de constante melhora da situação econômica do país. Algo natural, afinal todo e qualquer governo busca destacar os pontos de avanços financeiros, minimizando qualquer desajuste em suas contas.

O principal expoente desse cenário de otimismo governamental é o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que tem promovido esforços para implementar medidas que façam a economia brasileira não apenas parar de recuar como também avançar gradativamente com o tempo. Alguns números divulgados oficialmente têm, de fato, contribuído para a formação dessa visão de melhora gradativa da economia e da situação brasileira, de forma geral.
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgados neste mês de maio, apontaram que a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou abril com variação de 0,14%. Isso significa que o índice passou a acumular nos quatro primeiros meses de 2017 alta de 1,1%. No mesmo período de 2016, o número era de 3,25%.

Com isso, a inflação dos últimos doze meses ficou em 4,08%. Trata-se da menor taxa em doze meses desde julho de 2007, o que corrobora a imagem de que o Brasil, aos poucos, vai se recuperando do furacão que atingiu tanto a economia quanto a política do país nos últimos anos.

Meirelles, obviamente, comemorou a informação. É uma notícia positiva, a inflação está reagindo ao ajuste fiscal, taxa de juros estrutural caindo. O que leva também a uma queda da inflação à medida que a economia demanda menos taxa de juros de equilíbrio, afirmou o ministro, após participar de um congresso promovido por uma associação financeira.
"Em uma situação de incerteza, os formadores de preço tendem a aumentar os preços, mesmo que a demanda esteja baixa, para poder se defender. No momento [em] que existe um ajuste fiscal, [em] que a política monetária do Banco Central é bem-sucedida e firme, nós temos uma queda das expectativas de inflação, os tomadores de preços tendem a aumentar menos os preços. A inflação cai, refletindo a situação do país", completou.

Apesar do otimismo demonstrado de forma oficial pelo governo, através de Meirelles, existe o questionamento também ligado à questão do desemprego. Afinal, por mais que a situação até aparente relativa melhora, o número de desempregados segue aumentando no país. Os últimos dados divulgados também pelos IBGE mostram que o Brasil fechou o mês de março com 14,2 milhões de desempregados, ou seja, 13,7% da massa de trabalho frente aos 10,9% registrados no mesmo período de 2016. Questionado sobre a situação, Meirelles afirmou que a expectativa é que o desemprego comece a cair a partir do segundo semestre.

"O desemprego reage com uma certa defasagem em relação à atividade econômica", disse o ministro, que voltou a defender a aprovação das reformas em tramitação no Congresso Nacional, especialmente a da Previdência, para que a economia do Brasil volte a apresentar sinais positivos.

"Nossa expectativa é que as reformas sejam aprovadas no primeiro semestre. Se, porventura, alguma votação importante for deixada para agosto, não é o ideal, mas em uma reforma de longo prazo, não é isso que vai influenciar o sucesso da reforma. Agora, esses dois meses podem ser muito importantes para a expectativa e o crescimento econômico deste ano e do próximo", avaliou.

Ainda sobre o desemprego, o ministro afirmou, em outra ocasião, que o país segue pagando a conta dessa forte recessão econômica enfrentada nos últimos anos. ''Os investimentos caíram e as empresas começaram a demitir e as pessoas pararam de consumir com medo de serem demitidas'', disse.

Um dos principais problemas da economia brasileira neste momento, no entanto, é que a população, de uma forma geral, ainda teme pelo desemprego. Consequentemente, o consumo das famílias é retraído, gerando uma bola de neve de negativismo em todo o mercado. Afinal, quem irá se aventurar nas compras com a incerteza sobre estar ou não empregado no próximo mês? Prova disso é que, apesar da percepção positiva do governo, as vendas do comércio varejista brasileiro registraram queda de 1,9% em março em relação a fevereiro (série livre de influências sazonais). Com isso, os três primeiros meses deste ano foram fechados com retração acumulada de 3% nas vendas, frente ao mesmo perí

do de 2016.
Os números do IBGE revelaram ainda que o comércio varejista ampliado (incluindo o varejo e mais as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção) voltou a apresentar variação negativa no volume de vendas entre março e fevereiro (-2%). O índice vinha de quatro meses de resultados positivos.

Defesa mais enfática
Posteriormente, durante reunião ministerial de balanço de um ano do governo de Michel Temer, Meirelles foi mais enfático ao defender a ideia de que a recessão econômica é parte do passado do país. ''O Brasil vive um momento e um governo de profunda transformação. Encontramos um país que viveu a maior recessão da história. A recessão que encontramos foi maior que a depressão de 1930 e 1931'', disse.

Os dados utilizados pelo ministro para corroborar sua linha de raciocínio dizem respeito a diversos setores produtivos do país. O aumento do consumo em 20%, da produção de aço, também em 20%, e da safra de grãos (na ordem de 22%) em relação ao ano anterior reforçam a expectativa do governo de que a situação apresente melhora efetiva para a população já neste segundo semestre.

''Tivemos como resultado dessa retomada, a confiança. Tivemos uma mudança gradual da perspectiva, e os efeitos são, de fato, impressionantes. Se olharmos para a medida de Risco Brasil, que representa o custo de financiar o país, caiu de 500 pontos para um pouco mais 200 pontos'', defendeu.

As declarações de Meirelles (representando o governo federal), juntamente com os números apresentados por diversas entidades, reforçam a ideia de que é preciso calma para avaliar a situação brasileira neste momento. Não é correto avaliar o cenário de forma completamente otimista, mas ao mesmo tempo é possível deixar o ''negativismo'' de lado, com a impressão (fundamentada) de que o pior da crise já passou. O que todo brasileiro espera agora é perceber as mudanças, de fato, em suas próprias contas bancárias ao final do mês.
*Com informações da Agência Brasil

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