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Revista Mercado Automotivo | Edição 265

Edição 265: Setembro DE 2017
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Por Redação

Em visita à China nos primeiros dias de setembro, o presidente Michel Temer anunciou uma medida que poderá beneficiar o mercado automotivo brasileiro a médio prazo. O chefe do executivo informou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) passou a fornecer uma linha de crédito de R$ 20 bilhões para que pequenas e médias empresas brasileiras atuem no mercado chinês.

O objetivo é incentivar empresários do Brasil, ainda que de empresas de pequeno porte, a incluir o mercado chinês em seus próximos negócios. O próprio presidente recordou que a China é o maior parceiro comercial do Brasil e tem sido importante fonte de investimentos. É preciso, portanto, que outros setores brasileiros passem a enxergar os chineses como possíveis parceiros comerciais.

“Queremos naturalmente as grandes empresas, mas sabemos do significado, do valor do emprego que as pequenas e médias empresas também podem gerar”, afirmou Temer. O presidente disse ainda que as empresas que já estão instaladas no Brasil “sabem que têm condições de prosperar” e prometeu trabalhar para “melhorar ainda mais” o ambiente de negócios.

A medida pode ser especialmente importante para empresas do mercado automotivo brasileiro. Trata-se de uma forma de diversificar os negócios, buscando um país que, tradicionalmente, tem visto o Brasil como fornecedor apenas de commodities. É interesse brasileiro, portanto, agregar valor aos produtos comercializados com os chineses, e o setor automotivo pode representar importante papel nesta mudança de cenários.

O discurso de Temer é otimista e busca “vender” o mercado chinês como importante destino de produtos brasileiros. Suas falas também estão pautadas na estratégia de diversificação do conteúdo vendido aos chineses, de modo a tornar as exportações brasileiras mais sólidas.
“Tenho a mais absoluta convicção, pelos encontros que tive nesses dois dias aqui na China, com as autoridades que gentilmente nos receberam, que a China continuará ao lado do Brasil neste momento em que voltamos para o trilho do desenvolvimento. Sei que os empresários chineses são e seguirão sendo grandes parceiros nessa empreitada”, afirmou o presidente, preocupado também em seguir atraindo investimentos chineses para solo brasileiro.
“Nós temos, agora, um novo modelo para concessões e privatizações. É um modelo mais previsível e mais racional, que fortalece a segurança jurídica. Porque nenhum empresário aplica ou quer aplicar se não obtiver a segurança jurídica para o seu investimento”, completou.

Setor automotivo em recuperação

Além das notícias a respeito do fomento da exportação de produtos brasileiros para a China, o mercado automotivo do país foi informado também sobre o processo de recuperação do setor neste momento. Dados provenientes de levantamento da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) revelaram que a venda de veículos novos cresceu 10,59% em agosto na comparação com o mesmo período de 2016.

Ainda que nos últimos anos o setor não tenha apresentado níveis satisfatórios, um crescimento de 10% em um cenário de comparação anual é, de fato, significativo. Especialmente quando se trata de um índice que apresentava constantes quedas nos últimos semestres, devido à retração no poder de consumo dos brasileiros desde 2010.

No total, em agosto deste ano foram comercializadas 305.221 unidades, bem acima das 275.994 registradas no mesmo período de 2016. Um dos resultados mais expressivos provém das vendas de automóveis, que registraram alta de 21,43% em agosto, também no cenário de comparação anual. No acumulado de janeiro a julho, o segmento obteve aumento de 6,71% em relação ao mesmo período de 2016.

O melhor resultado, no entanto, coube ao segmento de ônibus, que venderam 30,41% a mais de veículos novos em agosto. O “problema” deste segmento, todavia, está relacionado à mesma questão que faz os empresários do setor automotivo ainda olharem com cautela para o setor, de forma geral. Quando se leva em consideração o acumulado nos primeiros sete meses de 2017, o segmento de ônibus ainda apresenta retração em relação ao mesmo período de 2016: -5,38%.

O resultado é especialmente negativo se levarmos em consideração que os números de 2016 já eram baixos. Dessa forma, ainda que pontualmente determinado segmento tenha registrado desempenho positivo, a análise macro revela que os números ainda estão abaixo do que fora obtido nos últimos anos.

É preciso considerar, por exemplo, que o resultado da venda de veículos no acumulado de 2017 (de janeiro a julho) ainda registrou queda de 2,99% na comparação com o mesmo período de 2016. Ou seja, ainda que a situação já tenha começado a mudar de forma positiva, os resultados ainda são fortemente influenciados pelo momento negativo que o país atravessa em sua economia.

Vale destacar também que o segmento de motos, ao contrário dos demais, não registrou resultado positivo em agosto. O segmento obteve queda de 4,98% nas vendas, na comparação com agosto de 2016. A queda é ainda mais expressiva no acumulado mensal: -18,77%.
Por estes números é possível concluir que a medida de Temer na China é importante para o setor automotivo, ainda que não seja direcionada especificamente a ele. As vendas de automóveis têm mostrado que o setor automotivo, como um todo, vem se recuperando aos poucos. Ocorre, no entanto, que essa recuperação é lenta e uma das formas de se precaver contra meses e anos negativos é diversificar os negócios. O mercado chinês tem potencial para receber novos produtos brasileiros e cabe agora às pequenas e médias empresas dedicarem-se a expandir suas vendas para um país que tem mais de 1,3 bilhão de habitantes. 1,3 bilhão de consumidores, portanto.

*Com informações da Agência Brasil.

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