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Revista Mercado Automotivo | Edição 269

Edição 269: Março DE 2018
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Por Redação

Os brasileiros iniciaram o mês de março com uma notícia, no mínimo, animadora. Depois de dois anos de queda, o Produto Interno Bruto (PIB) voltou a apresentar crescimento, ainda que tenha sido mínimo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice avançou 1% na comparação com 2016, o que representa, em valores correntes, o montante de R$ 6,6 trilhões.

Para especialistas consultados pela Agência Brasil, o crescimento deve ser maior em 2018, já que o País mostra ligeira recuperação em determinados segmentos. Ainda de acordo com os dados divulgados pelo IBGE, além da estabilidade apresentada pelas indústrias, de forma geral, o resultado de 2017 foi fortemente influenciado pelo desempenho da agropecuária (13% de alta) e dos serviços (cujo aumento foi menor, de 0,3%). Para a agropecuária, por exemplo, o resultado de 2017 foi o melhor em toda a série, iniciada em 1996.

Segundo José Ronaldo de Souza Junior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o desempenho de 2017 já era esperado e reflete a gradual recuperação da economia brasileira.

Consultado pela Agência Brasil, o diretor ressaltou ainda que 2018 deverá apresentar um cenário de consumo maior das famílias. Se em 2017 o índice referente a este consumo específico também cresceu 1%, a previsão para este ano é de 3,4% de alta. É possível salientar ainda que este foi o quarto aumento consecutivo no consumo brasileiro.

“A gente vê recuperação do consumo das famílias e do investimento também”, afirma o diretor do Ipea, ressaltando que o consumo familiar naturalmente movimenta o comércio brasileiro.

De fato, o comércio é um dos setores mais animados com a possibilidade de recuperação da economia brasileira. A percepção geral – comprovada posteriormente pelos números – é de que o pior da crise já passou e, com isso, os brasileiros estão voltando às lojas.

Fábio Bentes, chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), faz questão de ressaltar que o comércio avançou 1,8% em 2017 na comparação com o ano anterior. Pode parecer pouco, mas diante dos resultados obtidos anteriormente, o índice atual merece comemoração.

“Se olhar pela ótica do PIB, em 2015 e 2016, a riqueza do PIB do comércio encolheu 13,8%. Agora, a gente repôs 1,8%”, afirma Bentes, também em entrevista à Agência Brasil. A preocupação do dirigente, entretanto, está relacionada ao índice de investimentos no Brasil. Enquanto em 2016, a taxa de investimento representou 16,1% do PIB, desta vez o índice ficou em 15,6%.

“Se a gente continuar tendo mais consumo e menos investimento, o que vai sair daí é uma inflação maior e, aí, a gente é obrigado a abortar não só o crescimento, como abortar o próprio crescimento do consumo”, complementa.

Ainda que os números despertem confiança, há quem prefira adotar cautela em relação aos resultados brasileiros de aqui em diante. Um estudo feito pela agência de classificação de risco brasileira Austin Rating colocou o resultado do PIB do Brasil em último lugar em uma listagem com o desempenho de 45 países.

Para o economista Istvan Kasznar, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape) da Fundação Getulio Vargas (FGV), o PIB alcançado em 2017 ainda não é suficiente para transmitir uma sensação consistente de melhora.

“É um anúncio bom e é algo de que necessitávamos para acreditar mais, para ter mais alento. Ainda estamos longe dos indicadores de que necessitamos e permanecemos, infelizmente, enforcados pela falta da reforma da Previdência, por excesso de carga fiscal, por uma crise de corrupção inenarrável, incomparável na história do Brasil, e outros tantos fatores que ainda não nos mobilizam o suficiente”, disse.

Em nome da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o economista Marcelo Azevedo aponta que o crescimento esperado para 2018 não deve ser grandioso. Para a entidade, este ano deverá apresentar uma participação menor das exportações e maior do mercado doméstico, tornando o crescimento entre todos os setores mais homogêneo.

“Não vai se conseguir, já neste ano, recuperar tudo o que foi perdido, mas a gente acredita na continuidade da recuperação neste ano, sim”, afirma Azevedo à Agência Brasil. Também como base de comparação, é importante informar que o resultado do PIB do último trimestre do ano foi de alta de 0,1%, na comparação com o terceiro trimestre de 2017.

No entanto, quando se leva em consideração o quarto trimestre de 2016, o avanço da economia foi de 2,1%. É pouco, de fato. Mas diante do pessimismo exacerbado (fundamentado por resultados ruins) com o qual o brasileiro conviveu nos últimos três anos, qualquer resultado minimamente positivo traz certo alento à indústria e consequentemente à população em geral. O risco é que as eleições presidenciais deste ano tragam uma turbulência desnecessária ao País. É a última coisa que o Brasil precisa neste momento. *Com informações da Agência Brasil

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