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Revista Mercado Automotivo | Edição 260

Edição 260: Abril DE 2017
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Por redação

Em entrevista exclusiva à revista Mercado Automotivo, Rodrigo Carneiro, presidente interino da Andap e CEO da Barros Autopeças, fala sobre as características que fizeram a empresa crescer e firmar-se como um dos principais players do mercado nas últimas décadas. Além disso, o executivo falou sobre suas expectativas para a retomada da economia brasileira nos próximos anos, caso as crises – especialmente a política – possam ser equacionadas. Confira a íntegra da entrevista a seguir:

 

Revista Mercado Automotivo: A Barros Autopeças foi criada na década de 1950 por Antonio Fernandes de Barros, o Seu Tonico, em uma atitude empreendedora. Em sua opinião, ser um empreendedor no Brasil vem sendo tarefa mais fácil? Ou temos visto pouca evolução nesse sentido?

Rodrigo Carneiro: Ser empreendedor no Brasil não é e nunca foi tarefa fácil. Exatamente por isso tenho enorme respeito e admiração por aqueles que transformam ideias ou oportunidades em empresas, gerando empregos e alavancando a economia em nosso país. Nosso segmento é rico em exemplos e eu poderia citar muitos, mas corro o risco de a memória me trair. No entanto, não posso deixar de citar os fundadores da empresa que participo hoje, o Sr. Antonio Fernandes de Barros, e também da empresa em que tive orgulho de participar por mais de 20 anos, a Dasa, o Sr. Evaristo Comolatti.

RMA: O senhor acredita que o brasileiro não tem um espírito empreendedor? Ou são as dificuldades impostas a quem está começando que mais atrapalham esse tipo de negócio no país?

RC: O brasileiro é sem dúvida vocacionado para o empreendedorismo. Por necessidade ou por criatividade, desenvolve e cria inúmeras iniciativas, nos mais diversos segmentos de negócio, que, por falta de apoio, políticas de desenvolvimento econômico e um desastroso sistema tributário, na maioria das vezes acaba sucumbindo. Eu poderia exemplificar centenas de casos de empreendedorismo em centenas de segmentos de negócio que são exemplos para todo mundo, mas seria redundante porque todos conhecem ou deveriam conhecer. Dessa forma, vou usar um dos exemplos mais emblemáticos do nosso segmento, a Mercado Car que naturalmente não começou como é hoje; o Roberto Gandra que o diga.

RMA: Desde sua criação, a Barros Autopeças já conta quase 50 anos de atuação no mercado de autopeças brasileiro. A que fatores o senhor credita essa solidez na história da companhia?

RC: Na verdade, estamos completando 47 anos de atuação e a fórmula do sucesso se resume a simplicidade, velocidade e transparência com que a empresa foi criada e gerida.

RMA: Quais foram as principais dificuldades enfrentadas pela empresa para chegar até aqui? E como foram superadas?

RC: Parte da resposta está acima respondida na primeira pergunta. O empreendedorismo não é tarefa simples no Brasil, principalmente quando iniciamos uma atividade em uma cidade do interior, com estrutura limitada, mercado fechado e recursos limitados. No entanto, conforme falado anteriormente, a simplicidade, criatividade e capacidade empreendedora dos irmãos Barros construíram, a partir de uma loja de varejo, uma história de sucesso.

RMA: A Barros tem em sua estrutura um DNA familiar. Quais são os principais benefícios de manter um negócio entre familiares?

RC: Os principais benefícios são o foco no negócio, a facilidade/velocidade em se tomar decisões e, claro, o comprometimento dos direwww. revistamercadoautomotivo.com.br 11 tores com o resultado.

RMA: E quais são os principais desafios a que se deve estar atento quando se trabalha com familiares?

RC: Todos sabemos que família é uma organização difícil de ser gerida (ri), mas a família Barros historicamente tem um comportamento muito harmônico tanto no ambiente doméstico quanto no corporativo. Certamente a herança cultural do Wilson, José e Fernando de respeito e união estão presentes na terceira geração, o que facilita o dia a dia. Certamente o maior desafio é separar a função acionista da função executiva.

RMA: A Barros tem unidades de negócios concentradas na região Sudeste. Há alguma perspectiva ou até mesmo vontade de ampliar essas unidades para outras regiões do Brasil?

RC: Discutimos a exaustão esta questão mesmo porque, antes da ST, tínhamos uma importante participação em nível nacional. Estamos hoje onde está 56% da frota brasileira de veículos, portanto onde o mercado é enorme e exige muito de todos nós. Mas, respondendo objetivamente, queremos e vamos crescer, mas ainda concentrados nos Estados onde estamos presentes e com os modelos de negócio que atuamos e estamos focando.

RMA: Em relação ao momento difícil pelo qual o Brasil atravessa, há quem diga que o pior já passou. O senhor também tem essa percepção? Ou ainda é muito cedo para um diagnóstico desse tipo?

RC: Em outubro de 2015 fui convidado pela Associação Comercial e Industrial de Uberlândia a falar exatamente sobre esse tema (como se tivera competência para isto). Convite tão honroso, lá expus da mesma forma que o faço aqui. Não acredito em crise econômica em um país com nossas capacidades, competências, resultados e resiliência de seus cidadãos. O que vimos experimentando é uma brutal crise moral e política com efeitos duríssimos sobre a economia, sem dúvida.

Resolvidas ou equacionadas estas questões, em uma economia com mais de 200 milhões de consumidores e, particularmente em nosso caso, uma frota que se aproxima dos 50 milhões de veículos, não tenho nenhuma dúvida sobre a retomada do nosso crescimento. Aliás, vamos lembrar que o nosso segmento foi um dos menos afetados.

RMA: A logística segue como uma das principais fontes de gastos das companhias do setor de autopeças? Também nesse sentido, qual é o peso dos impostos para as companhias do setor?

RC: Sim, a logística – fretes mais especificamente – tem um peso significativo em nosso negócio. Esta é uma área de atenção para nossos políticos e dirigentes. Estamos completamente superados em infraestrutura e precisamos reduzir nosso custo, ganhando produtividade e eficiência. Quanto aos impostos, não há o que falar senão lamentar a desinteligência do nosso modelo tributário que aumenta o desinvestimento no país e reduz absurdamente a rentabilidade de nossas empresas

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