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Revista Mercado Automotivo | Edição 264

Edição 264: Agosto DE 2017
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Por Redação

Os motoristas brasileiros foram pegos de surpresa com a decisão do governo federal de reajustar os preços dos combustíveis neste último mês de julho. A medida entrou em vigor no dia 21, mas foi alvo, posteriormente, de diversas ações judiciais que buscavam reverter seus efeitos. Fato é que o consumidor, aquele que irá de fato sentir o reajuste, teve de fazer mais contas ao abastecer o carro, de modo a descobrir se ainda valia a pena seguir com um veículo particular.

Medidas como esta, ainda que pequenas, costumam impactar fortemente diversos setores da economia. E mesmo que indiretamente, o setor automotivo também será atingido. Afinal, a alta nos preços dos combustíveis pode realmente ser o estopim que faltava para muitos brasileiros tomarem uma decisão extrema: deixar seus veículos em casa (ou vendê-los) e passar a utilizar táxis e outros serviços de transporte. A conta é simples. Basta que o consumidor comprove, em seu caso específico, qual é a alternativa mais vantajosa economicamente.

No que diz respeito aos índices econômicos oficiais, boa parte dos analistas não consideram que o reajuste dos combustíveis seja suficiente para impactar de forma considerável a inflação do País em 2017. De acordo com consultorias e especialistas consultados pela Agência Brasil, a medida terá apenas um impacto momentâneo sobre a inflação, o que não será suficiente para fazer o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechar o ano acima do centro da meta, de 4,5%.

Ainda que as projeções dos especialistas variem, a expectativa é que a inflação oficial brasileira encerre este ano quase um ponto percentual abaixo do centro da meta estabelecida. O principal receio dos economistas era de que o aumento de alíquota do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a gasolina, o etanol e o diesel tivessem efeitos consideravelmente fortes sobre outros preços, como frete, transporte público e alimentação. Isso, entretanto, não deverá ocorrer na inflação deste ano.

Para o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), por exemplo, as novas alíquotas sobre os combustíveis deverão ter impacto de 0,4 ponto percentual sobre o IPCA, ainda que influencie indiretamente outros setores da economia. Dessa forma, estima a entidade, a inflação oficial deverá encerrar 2017 entre 3,3% e 3,5%.

A projeção da Tendências Consultoria é mais pessimista neste cenário. Em relatório, a entidade aponta que o reajuste terá impacto de 0,63 ponto percentual no IPCA nos meses de julho e agosto. Assim, em 2017, o índice deverá ficar entre 3,6% e 3,8%, ainda abaixo do centro da meta estabelecida.

Algumas entidades, no entanto, têm adotado discurso mais forte em relação ao reajuste. Para a Agência Nacional de Transporte de Cargas (ANTC), por exemplo, uma associação que atua com gerenciamento de cargas, o aumento do imposto sobre os combustíveis será suficiente para gerar uma alta de até 4% no preço do frete praticado no País.

Além de encarecer produtos com menor valor agregado, como arroz, farinha e outros produtos da cesta básica, o frete elevado contribui para que os itens tornem-se mais caros no Norte e Nordeste do País, regiões mais distantes dos polos produtores no Sul e Sudeste.
“O quanto do frete será repassado ao produto vai depender do peso do frete no produto. Tem produto que não representa nada. Mas têm situações piores, nas quais o frete pesa, quando o valor do produto é baixo, como na cesta básica com arroz, feijão, farinha. O preço do frete nesses produtos é alto. O transportador não tem como não repassar esses 4%. Está sem margem nenhuma. O frete cai desde 2014. Mesmo na época boa, a margem [de lucro] era de 5%, fica difícil segurar”, avalia o assessor técnico da ANTC, Lauro Valdívia.

A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) entende que o reajuste deverá levar a uma reação em cadeia na economia brasileira. Para o porta-voz da entidade, Bolívar Lopes, em certas situações o impacto será imediato. “A Abcam reconhece as dificuldades que o País atravessa. No entanto, o aumento de combustíveis nesse momento levará a encarecimento de muitos produtos para o consumidor final. O transportador também é consumidor final, para o caminhoneiro vai aumentar diesel, pneus, manutenção do veículo e outros insumos. [...] Nesse momento, as negociações [entre caminhoneiros e clientes] vão ser muito importantes. Os contratos em andamento serão vistos com cautela”, completa Lopes.

A decisão do governo federal em aumentar os tributos sobre os combustíveis foi fortemente baseada na dificuldade que Brasília tem para recuperar a arrecadação do País. Oficialmente, o objetivo do governo com a medida é contribuir para o cumprimento da meta fiscal de déficit primário de R$ 139 bilhões.

Diante das diversas reclamações geradas pelo aumento relativo aos combustíveis, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, veio a público para garantir que o governo não discute novos reajustes fiscais nesse momento. No entanto, caso seja necessário, novos reajustes poderão ser anunciados.

“Não discutimos isso, porque não é uma situação que se coloca no momento. Tudo é possível, se necessário. Tenho falado isso desde agosto do ano passado. Mas, hoje, nós estamos preocupados em concretizar outras receitas. Estamos trabalhando intensamente nisso para garantir que, de fato, essas receitas possam ser contabilizadas o mais rápido possível”, afirmou Meirelles, em referência às outorgas do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro e a liberação para a União dos depósitos judiciais da Caixa Econômica Federal. O setor automotivo brasileiro observa de perto (e com bastante interesse) toda a discussão e a movimentação que envolvem os reajustes dos combustíveis. Afinal, o cenário impacta, ainda que indiretamente, toda a cadeia automotiva do País.

*Com informações da Agência Brasil

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