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Revista Mercado Automotivo | Edição 267

Edição 267: Novembro DE 2017
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Por Redação

Chegou às livrarias brasileiras uma obra que promete trazer ótimos insights para executivos de empresas dos mais diversos setores. No livro Vicente Falconi – O que importa é resultado (Editora Primeira Pessoa, 200 páginas, R$ 35), a jornalista e palestrante Cristiane Correa traz ao leitor importantes informações a respeito de Vicente Falconi, um dos executivos de maior prestígio no país.

Com forte atuação em gigantes globais, Falconi tornou-se também um dos principais consultores de gestão do Brasil. Nascido em 1940, graduou-se em Engenharia pela Universidade Federal de Minas Gerais em 1963 e M.Sc. e Ph.D. em Engenharia pela Colorado School of Mines, nos Estados Unidos, em 1968 e 1971.

Foi na década de 1980, entretanto, que Falconi passou a ganhar notoriedade no Brasil ao percorrer o país para apresentar a empresários conceitos inspirados na eficiência das companhias japonesas. Tais informações, até então, eram praticamente desconhecidas em solo nacional, especialmente se levarmos em consideração uma época em que a globalização ainda não era efetiva como o é hoje e a internet também não se fazia presente.
A partir daí, Falconi levou a combinação entre disciplina e foco financeiro para empresas como Gerdau, Sadia (depois BRF), Unibanco e dezenas de outras no Brasil e no exterior. Boa parte desse conhecimento foi obtido através do trabalho de Falconi durante muitos anos com os japoneses da JUSE (Union of Japanese Scientists and Engineers).

Uma das principais orientações de Falconi, inclusive em gigantes brasileiras como a Ambev, diz respeito simplesmente ao processo de estabelecer e cobrar metas para os funcionários, independentemente de sua posição na hierarquia da empresa.

O livro de Correa relata em detalhes o pensamento e a trajetória de Falconi, revelando, inclusive, os princípios de liderança e gestão que certamente farão muito sentido em organizações que buscam mudanças, seja qual for o tamanho de sua estrutura.

Um dos principais méritos do livro reside também em quem o escreve. Afinal, ainda que a trajetória de Falconi seja interessante e mereça espaço, Correa já se tornou uma especialista em contar histórias, bastidores e revelar biografias do mundo corporativo brasileiro. É dela a autoria dos livros Sonho Grande (que conta a trajetória dos empresários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira) e Abilio (a respeito do empresário Abilio Diniz). Juntas, as duas obras já venderam mais de 500 mil exemplares e foram lançadas também em outros mercados, como Estados Unidos, Coreia do Sul, China e Portugal.

A escrita de Cristiane Correa é leve e traz detalhes interessantíssimos a respeito da vida profissional de Falconi. Certamente se credenciará como um livro importante para quem busca aprender e também para aqueles que buscam simplesmente conhecer a trajetória do empresário e consultor.

Interessante notar ainda que a vida profissional de Falconi não ficou restrita apenas ao setor privado. Na esfera pública, o consultor tornou-se influente no país ao se envolver em projetos de diversos municípios e Estados. Foi ele, por exemplo, um dos principais responsáveis por um dos maiores programas de redução de consumo de energia elétrica no Brasil, em 2001. Na época, o país vivia o risco de um verdadeiro “apagão elétrico” e Falconi ajudou a estabelecer metas de consumo para clientes comerciais, industriais e residenciais.

Ainda que fuja de polêmicas (algo natural para um livro biográfico), a obra também conta os bastidores da consultoria criada por Falconi. Segundo definição da própria editora do livro, a consultoria de Falconi foi palco, em algumas vezes, de disputas de poder que colocaram em xeque as lições ensinadas por ele.

O livro também é recheado de declarações de executivos e profissionais que trabalharam com Falconi e hoje valorizam muito os conselhos e ensinamentos passados por ele. “O Falconi falava assim: ‘O mundo é que nem um ônibus. De um lado senta quem bate meta e do outro quem não bate. Você tem que entrar no ônibus e escolher: de que lado vai se sentar?’ Ele falou isso em 1999 e eu uso até hoje”, afirma, por exemplo, Bernardo Hees, CEO da Kraft Heinz.

Durante o livro, no entanto, são muitos os personagens que surgem para ajudar a contar a história de Falconi. Em sua trajetória profissional, especialmente quando atuou como consultor, Falconi se especializou em destacar um aspecto que ainda hoje permeia muitas discussões envolvendo a gestão de empresas públicas e privadas.

Falconi propôs e destacou que o paternalismo presente em muitas companhias fosse simplesmente substituído pela meritocracia. Para isso, era necessário estabelecer metas e cobrar seus cumprimentos, de modo que as empresas fossem preenchidas por profissionais verdadeiramente motivados a crescer (e consequentemente fazer crescer a própria empresa).

Pode parecer uma ideia simples para ser exposta hoje, mas é importante considerar que nas décadas de 1980 e 90, o conceito da meritocracia ainda enfrentava resistência em diversos cenários. O livro de Correa merece ser lido tal qual suas demais obras, que retrataram as trajetórias de outros empresários do país, de um modo que não trata como deuses os biografados, mas ao mesmo tempo destaca seus valores e ensinamentos para mostrar aos leitores o que pode ou não ser aproveitado em outras empresas públicas e privadas do país. Vale a leitura!

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