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Revista Mercado Automotivo | Edição 262

Edição 262: Junho DE 2017
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Por Redação

O esperado resultado da economia brasileira no primeiro trimestre deste ano foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no início de junho. De acordo com os dados oficiais, o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, cresceu 1% no período comparado ao último trimestre de 2016, na série livre de influências sazonais. O resultado representa a primeira alta neste tipo de comparação (ou seja, com o período imediatamente anterior) após dois anos consecutivos de queda.

O cenário, de imediato, animou o governo brasileiro, pressionado especialmente pela crise política que atinge o país graças à divulgação de gravações entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, da BRF, nas quais o executivo supostamente fala de atos considerados ilegais para o chefe do Executivo.

Logo após a divulgação do desempenho positivo da economia no primeiro trimestre, Temer aproveitou para atestar em sua conta no Twitter: “Acabou a recessão!”.

“Isso é resultado das medidas que estamos tomando. O Brasil voltou a crescer. E com as reformas vai crescer mais ainda”, completou, em referência às reformas trabalhista e previdenciária que pretende aprovar antes de deixar o cargo, seja em 2017 ou em 2018.

Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, adotou praticamente o mesmo tom para comentar os números divulgados pelo IBGE. “Hoje é um dia histórico. Depois de dois anos, o Brasil saiu da pior recessão do século. Ainda há um caminho a ser percorrido para alcançarmos a plena recuperação econômica, mas estamos na direção correta”, completou.

A avaliação de Meirelles é mais racional e consequentemente mais próxima à realidade do país. De fato, o resultado do primeiro trimestre de 2017 é extremamente importante, até mesmo para ajudar a recuperar a confiança do país, da indústria e da população. No entanto, ainda é cedo para concluir que já atravessamos o período de queda que até ontem nos trazia prejuízos em diversos setores econômicos.

Os próprios números do IBGE, se analisados com mais detalhes, podem exibir um cenário mais conservador, para dizer o mínimo. Quando se leva em consideração o primeiro trimestre de 2016, por exemplo, o PIB deste ano registra queda de 0,4%. Já o resultado acumulado dos quatro últimos trimestres tem queda de 2,3%.

O resultado, portanto, é negativo? Não, não se trata de algo negativo, mas é preciso observar os números com cautela. Afinal, em nosso dia a dia, seja como consumidor, seja no ambiente de trabalho, é possível perceber uma leve melhora nas condições econômicas do país. Tão leve, entretanto, que pode simplesmente se dissipar dependendo do setor levado em consideração ou de determinadas dificuldades enfrentadas por empresas ou famílias.
O resultado do primeiro trimestre deste ano, por exemplo, foi fortemente amparado no crescimento da agropecuária no país. O setor fechou o período com crescimento de 13,4%, enquanto a indústria cresceu 0,9% e o setor de serviços não registrou qualquer variação. Em entrevista à Agência Brasil, a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, explicou que o resultado positivo dos primeiros três meses de 2017 ainda não é suficiente para afirmar que a recessão no país acabou. Para justificar sua avaliação, Palis citou justamente que o crescimento se deu sobre uma base bastante deprimida e se mostra muito dependente da agropecuária e da extração mineral.

“Ainda é cedo e acho razoável esperar um pouco mais. Se você observar, [o crescimento] foi contra uma base comprimida por oito trimestres consecutivos de queda, e, se olharmos para longe, veremos que a economia encontra-se no mesmo patamar de 2010. A agropecuária tem um peso de apenas 5,4% na economia, não é nada significativo se levarmos em conta que os serviços, que respondem por mais de 70%, ficaram estagnados [0,0%]. [A agropecuária] contribuiu muito este ano com 15% de aumento no valor adicionado, principalmente em razão da safra recorde. Principalmente a soja, mas também o milho e o arroz ajudaram na exportação”, explicou.

De qualquer forma, o resultado positivo do primeiro trimestre reforçou a expectativa de boa parte do país em contar com números melhores já em 2017. O mercado financeiro, por exemplo, através do boletim Focus, elaborado pelo Banco Central, reforçou a previsão de crescimento econômico de 0,5% para o Brasil neste ano. Para 2018, a projeção é ainda mais otimista: alta de 2,40%.

Para que este cenário positivo se torne uma realidade, o governo reforça a necessidade de aprovação e implementação das reformas que tem pleiteado em Brasília. Para Dyogo Oliveira, ministro do Planejamento, os grandes projetos que o Brasil precisa neste momento são justamente as reformas propostas pelo Executivo. “Isto [reformas] está sendo feito e já está produzindo resultados. Tivemos o resultado do PIB, que é um indicador, e tivemos o dado sobre o desemprego, que trouxe uma grata surpresa. É o primeiro mês, desde janeiro de 2015, que a taxa de desemprego não cresce. Não vou dizer que ela caiu, pois ainda é um número incômodo, mas flutuou de 13,7%, no mês passado, para 13,6%. Estaremos, muito em breve, falando de recuperação no mercado de trabalho”, afirmou o ministro, referindo-se também à variação mínima da taxa de desemprego.

“Uma economia moderna é dirigida pelas expectativas. Nós finalmente estamos começando a enxergar os sinais da recuperação econômica. Isto não ocorre por acaso, é resultado de esforço, de decisões futuras, mas acertadas. Resultado de um governo e, em particular, do presidente Michel Temer, que poderia ter optado por um caminho mais fácil, mais suave, mas optou por enfrentar grandes desafios”, completou.

O caminho para que o Brasil retorne aos trilhos, no entanto, não será fácil e irá exigirá muito esforço de todos no país. A instabilidade política que assombra a continuidade do presidente Michel Temer no cargo pode justamente derrubar esse momento de calmaria e evolução positiva da economia brasileira. É por isso que o presidente se agarra aos recentes resultados econômicos e brada o fim da recessão, ainda que as demais vozes sugiram cautela na análise dos números e da realidade brasileira.

*Com informações da Agência Brasil

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