Anuncie

Revista Mercado Automotivo | Edição 249

Edição 249: Fevereiro DE 2016
Publicidade

Por Redação

Com larga experiência no mercado de reposição, Francisco de La Tôrre, presidente do Sincopeças-SP desde 2008, destaca as principais questões que interferem no varejo e as ações realizadas pela entidade para dar suporte às empresas associadas. De La Tôrre participou do início da criação da Rede Âncora e atua no setor de autopeças desde 1985. Para ele, o crescimento da frota circulante gera oportunidades, mas lembra que é preciso estar organizado e estruturado para atender à demanda de um mercado altamente competitivo e com muita variedade de itens. Além disso, o presidente comenta que é necessário enxergar o futuro com muita atenção. Na sua visão, o mercado é muito dinâmico e muda sempre que chegam novos recursos eletrônicos. Isso tem acontecido ao longo de décadas com a evolução da indústria automobilística e nos últimos anos com mais força. “As mudanças acontecem muito rápido, é preciso estar sempre atualizado”, comenta. Confira a entrevista!

Em sua opinião, como o mercado de reposição deve se comportar?

Depende muito do que vai acontecer com a economia, mas o mercado de reposição responde positivamente mesmo em tempos de crise. Isso porque o que gera demanda é a frota circulante. Considerando que nos últimos anos houve crescimento e a frota alcançou 41,5 milhões de unidades, desse total, mais de 80% tem idade entre 5 e 15 anos, justamente o período que frequenta as oficinas independentes. Por isso, a expectativa é que tenha movimento já que as pessoas estão postergando a compra do veículo novo e precisam manter em funcionamento o usado. Trata-se de uma necessidade de manter o carro em boas condições de uso.

Com as vendas de novos em que­da e de veículos seminovos aquecidas, a concorrência na reposição aumentou?

Sim, a quantidade de marcas e modelos acaba trazendo novas empresas para o mercado. Isso gera mais concorrência, mas é importante distinguir peças de qualidade de outras de origem duvidosa até porque o varejo é responsável pelo que comercializa. A certificação de autopeças inclusive é a melhor forma de coibir a comercialização de peças que não têm comprovação de procedência. A lei do consumidor é bem clara quanto às responsabilidades do varejo. Por isso, o empresário precisa ficar atento e optar por marcas reconhecidas e consolidadas no mercado.

Como acredita que indústria e distribuidor podem atuar para dar suporte ao varejo?

Além da política comercial que cada empresa possui, informações técnicas, catálogos, treinamento para capacitação profissional são atributos interessantes e muito bem-vindos para dar suporte ao varejo.

De que forma o varejo consegue dar conta da diversificação da frota? A especialização por segmento é viável?

O aumento de marcas e modelos de veículos tem revolucionado a gestão do estoque das lojas. Menos quantidade de itens do mesmo partnumber e mais variedade de produtos diversificados. É um desafio, pois exige gestão e investimento em sistemas de software. Não dá mais para ter mercadorias estocadas por longo período. É dinheiro parado.

A especialização por nicho de mercado facilita a operação. Contudo, é necessário fazer estudo de mercado na região de atuação para saber quais são as necessidades locais dos consumidores. Também precisa investir em divulgação para se tornar conhecido. Hoje, com a internet, é possível ampliar a atuação da empresa.

A forma de vender e também de manter o estoque nas lojas mudou?


Sem dúvida, mudou muito. O estoque diminuiu muito nos últimos anos até em função da frota ser tão diversificada. Não dá para prever quais serão os itens mais solicitados por mecânicos e consumidores. Hoje, a loja tem itens básicos e faz pedidos diários fracionados de acordo com a demanda. Uma forma inteligente de evitar peças paradas em estoque.

É possível tornar a compra de autopeças mais interessante aos olhos do consumidor?

A disseminação do conceito da manutenção preventiva é uma maneira de mostrar ao motorista o lado bom de cuidar do carro, pois levá-lo à oficina somente quando ocorre a quebra gera muito estresse e insatisfação. Não é uma compra desejável, mas necessária. Mudar isso é muito difícil, mas a loja pode se tornar mais atraente, considerando a disposição dos produtos, iluminação e comunicação visual. Tudo precisa ser pensado para que o consumidor se sinta bem no local. Essa ideia ainda começa a ser difundida nas lojas de autopeças, mas já é bem difundida no setor de farmácias, por exemplo.

A interrupção da inspeção ambiental veicular prejudicou a maneira de o consumidor enxergar os benefícios da manutenção preventiva de veículos?

Foi uma enorme perda não só para o setor de reposição, mas também para a população que convive com um ar mais poluído. A inspeção ambiental começou a incutir no consumidor a importância da manutenção preventiva. Mas infelizmente a sua interrupção na cidade de São Paulo, que servia de exemplo para o País, retrocedeu nesse processo. O motorista ainda não tem o hábito de cuidar do veículo de forma preventiva. Por isso, o GMA (Grupo de Manutenção Automotiva), criou o programa Carro 100% / Caminhão 100% / Moto 100% para conscientizar o dono do veículo sobre a importância da manutenção preventiva. Ao longo de 7 anos do programa, percebemos que as ações aos consumidores, levando orientação e dicas de manutenção, são bem aceitas e surtem efeito positivo.

O Sincopeças-SP acompanha o assunto?

Sim, inclusive junto com outras entidades do setor temos trabalhado para o retorno da inspeção. Participamos de reuniões com órgãos governamentais e de ações que possam sensibilizar as autoridades sobre os benefícios da medida para a saúde pública.

Como as lojas fazem para se manter atualizadas com as informações de produtos?

Procuram com os fabricantes dados sobre aplicações e produtos e pesquisam de várias formas possíveis, pois não podem deixar de atender o cliente. Um cadastro integrado é uma solução muito prática porque facilita o dia a dia dos profissionais das lojas.

O que representa a criação do Sincopeças Nacional?

É uma grande conquista que já vem sendo trabalhada há muitos anos e é resultado do amadurecimento das entidades estaduais que conseguem agora ter mais força e representatividade nacionalmente. A união possibilita a discussão e o plano de ações voltadas ao setor, garantindo o seu fortalecimento.

Fale sobre a atuação política e quais são os temas que o varejo prioriza.

O Sincopeças-SP atua em várias frentes em busca de melhorias e ações efetivas que contribuam para o desenvolvimento do setor. Para isso, trabalha juntamente com as outras entidades que formam o GMA apresentando a órgãos públicos propostas e questionamentos que sejam de interesse do setor. Estamos atentos às novas legislações e procuramos nos posicionar, sempre que possível. Por isso, acompanhamos e monitoramos projetos de leis municipais, estaduais e federais que interferem, de alguma forma, na atividade da reposição automotiva e do varejo.

Entre as prioridades estão ações voltadas à retomada da inspeção ambiental veicular, assim como a implantação da inspeção técnica veicular, que inclui fiscalização e itens de segurança, disponibilidade de informações por parte das montadoras e a volta do regime de débito e crédito para o ICMS.

Qual é a importância dos fóruns que o Sincopeças-SP realiza?

Fazem parte de um plano de comunicação que inclui várias ações voltadas aos associados para levar informação sobre o mercado e suas tendências. É mais uma prestação de serviço que a entidade oferece visando promover o desenvolvimento do varejo. Este ano teremos nova programação. Os temas são escolhidos de acordo com as necessidade e sugestões apresentadas pelos empresários.

As novas tecnologias interferem no dia a dia do varejo?


Sem dúvida, todas as novidades que chegam acabam gerando impacto depois de três anos no mercado de reposição, quando os veículos saem da garantia e migram para as oficinas independentes. Às vezes isso acontece até antes, pois o motorista tem o seu mecânico de confiança, um relacionamento cultivado há anos. Temos esta cultura porque o reparador busca atender e resolver o problema do cliente. O mesmo acontece com o lojista que dá suporte ao reparador. Com a entrada de itens eletrônicos, este atendimento do balcão tem se tornado cada vez mais técnico. É preciso pesquisar e conhecer o produto. O vendedor deixou de apenas receber pedidos para fazer uma venda mais consultiva. Todos os detalhes são importantes para que a peça correta chegue às mãos do mecânico que tem pressa para efetuar o serviço. Com isso, a área de compras da loja também precisa de gestão minuciosa com auxílio de informática. Peça parada no estoque significa desperdício. Os pedidos das lojas são fracionados e com mais variedade de itens ao invés de quantidade como era antigamente quando existiam apenas quatro montadoras no País e poucos modelos de veículos. Hoje, são centenas de modelos, com versões diferentes. Isso fez com que o varejo repensasse a forma de gerir o estoque. Muitas mudanças virão, o carro elétrico já é uma realidade em alguns países e não está tão distante de chegar ao Brasil. Tudo isso precisa ser considerado para que o negócio continue acompanhando a evolução do mercado.

Design: Agência Bcicleta
Sistema: alc propaganda - criação de sites

Telefone: (011) 2639-1462 / 2639-1082
editora@photon.com.br